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Os recentes casos graves de importunação sexual e difusão de desinformação no Big Brother Brasil, somados a um histórico de situações similares, não são acidentes isolados. Eles são o produto de uma lógica de programação que frequentemente coloca o ibope e o escândalo acima da dignidade e da verdade. Nesse contexto, a existência de mecanismos de controle social e parlamentar sobre a mídia, historicamente encarnados por iniciativas como a campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania", mostra-se mais relevante do que nunca.
A mobilização parlamentar em defesa da qualidade da TV e dos direitos humanos não é uma reação nova. Ela nasceu organizada em 2002, fruto de uma deliberação da VII Conferência Nacional de Direitos Humanos, que reuniu cerca de 1.500 militantes e lideranças. A campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania" foi instalada como um projeto permanente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, em parceria com dezenas de entidades da sociedade civil. Seu objetivo era claro: criar um instrumento legítimo para promover o respeito aos direitos humanos e à dignidade do cidadão na televisão brasileira, resgatando o verdadeiro significado da liberdade de expressão.
A campanha não se limitou ao discurso. Ela criou mecanismos concretos e transparentes para canalizar a insatisfação da sociedade e exercer pressão:
Apesar de a comissão específica mencionada não constar na estrutura atual da Câmara, a sua função essencial – fiscalizar o conteúdo televisivo em defesa dos direitos humanos – permanece mais do que atual e está abrigada em outros espaços, como a própria Comissão de Direitos Humanos. Os casos recentes do BBB ilustram com clareza por que esse olhar crítico do Legislativo é indispensável:
As emissoras historicamente reagiram a essas iniciativas acusando-as de censura. No entanto, há uma diferença abismal entre a censura estatal prévia e o controle social democrático e pós-veiculação exercido por uma comissão parlamentar em conjunto com a sociedade. Trata-se de garantir que a liberdade de expressão das emissoras não se torne uma licença para violar direitos, difamar, desinformar ou degradar. Em um momento onde os reality shows testam constantemente os limites da ética, a existência de um olhar atento e crítico do Poder Legislativo sobre a programação televisiva não é um capricho: é uma obrigação com a cidadania e um antídoto necessário contra a barbárie como espetáculo.
Com informações de: Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), Agência de Notícias da Câmara dos Deputados ■