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Eleição presidencial em Portugal caminha para segundo turno inédito em quatro décadas
Com 11 candidatos e eleitorado fragmentado, país europeu se prepara para uma segunda volta no dia 8 de fevereiro para escolher o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa
Europa
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■   Bernardo Cahue, 18/01/2026

As eleições presidenciais realizadas neste domingo (18 de janeiro de 2026) em Portugal devem marcar um marco na história democrática do país: a primeira vez em 40 anos que a disputa pelo Palácio de Belém será decidida em um segundo turno. Com um número recorde de candidatos e um cenário de grande imprevisibilidade, a corrida reflete uma profunda transformação no panorama político português, antes dominado por dois partidos e agora caracterizado pela fragmentação e pela ascensão de novas forças.

Para vencer já no primeiro turno, um candidato precisa obter mais de 50% dos votos válidos. A pulverização do voto entre 11 concorrentes, no entanto, torna matematicamente improvável que isso aconteça. Caso se confirme a necessidade de um segundo escrutínio, este está marcado para 8 de fevereiro, num confronto direto entre os dois candidatos mais votados. O vencedor sucederá a Marcelo Rebelo de Sousa, que está constitucionalmente impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo.

Um campo eleitoral amplo e fragmentado

O Tribunal Constitucional validou a candidatura de 11 nomes, o maior número desde a redemocratização. O boletim de voto, contudo, lista 14 nomes, pois a rejeição de três candidaturas por irregularidades aconteceu depois da impressão das cédulas. O grupo reflete um espectro político diversificado:

  • André Ventura: Líder do partido de direita radical Chega, foca sua campanha no tema da imigração.
  • António José Seguro: Ex-secretário-geral do Partido Socialista (PS), representa a centro-esquerda.
  • João Cotrim de Figueiredo: Eurodeputado do partido de centro-direita Iniciativa Liberal (IL).
  • Luís Marques Mendes: Ex-líder do Partido Social Democrata (PSD), representa o centro-direita tradicional.
  • Henrique Gouveia e Melo: Almirante reformado que liderou a task-force de vacinação contra a COVID-19; candidato independente com apoios transversais.
  • Outros candidatos incluem Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António Filipe (PCP) e candidaturas independentes.

Pesquisas indicam disputa acirrada e virada à direita

As últimas sondagens apontavam para uma disputa extremamente apertada, com quatro candidatos tecnicamente empatados para as duas vagas de um eventual segundo turno:

  • André Ventura (Chega): 24% das intenções de voto.
  • António José Seguro (PS): 23%.
  • João Cotrim de Figueiredo (IL): 19%.
  • Luís Marques Mendes (PSD) e Henrique Gouveia e Melo (Ind.): 14% cada.

Esses números evidenciam o domínio dos temas e candidatos de direita e centro-direita na campanha. Apenas um candidato de centro-esquerda, António José Seguro, aparece entre os cinco mais bem colocados. Este cenário é um reflexo direto da instabilidade política recente: nas legislativas de 2025, o partido Chega tornou-se a segunda força no parlamento, enquanto o PS sofreu uma queda expressiva.

O que está em jogo: os poderes do presidente

Portugal é uma república semipresidencialista. O presidente, chefe de Estado, tem funções predominantemente cerimoniais, mas detém poderes de reserva cruciais em momentos de crise política:

  • Pode vetar legislação aprovada pelo parlamento (embora o veto possa ser derrubado).
  • Detém a chamada "bomba atómica" política: o poder de dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições legislativas.
  • É o comandante supremo das Forças Armadas.

O novo presidente herdará um contexto de governo minoritário de centro-direita liderado pelo PSD, necessitando de habilidade para mediar conflitos e garantir estabilidade.

Um reflexo das mudanças na Europa

A possível ida de André Ventura ao segundo turno é vista como parte de um avanço mais amplo de partidos populistas e de direita radical no continente europeu. O candidato do Chega centrou sua retórica na crítica à "imigração excessiva", um discurso que, segundo analistas, ganhou espaço em um país onde era impensável alguns anos atrás. No entanto, pesquisas indicam que Ventura também carrega a maior taxa de rejeição entre os eleitores, cerca de 60%, o que pode definir um eventual segundo turno.

Com informações de: Poder360, Euronews, G1, Metrópoles, Wikipédia. ■

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