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Em uma escalada dramática de uma disputa geopolítica, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas punitivas contra oito países europeus, acusando-os de se oporem ao seu plano de aquisição da Groenlândia. Em resposta, a União Europeia convocou uma reunião de emergência para este domingo (18) a fim de coordenar uma resposta conjunta .
As tarifas, anunciadas via Truth Social, têm como alvo Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia . Os gravames começariam em 10% sobre todos os produtos enviados aos EUA a partir de 1º de fevereiro, saltando para 25% em 1º de junho. Trump afirmou que as medidas se manterão “até que os EUA cheguem a um acordo para a compra completa da Groenlândia” .
Trump justificou a ação citando a segurança nacional e alegando que a Groenlândia, atualmente um território autônomo do Reino da Dinamarca, estaria vulnerável à ambição de China e Rússia. Ele chegou a menosprezar a capacidade de defesa dinamarquesa, afirmando que a ilha “só está protegida por dois trineos tirados por cães” . O presidente também criticou o envio recente de um pequeno contingente militar europeu à Groenlândia, chamando-o de “jogo muito perigoso” .
A reação europeia foi rápida e uníssona em repúdio:
A cobiça americana pela Groenlândia não é nova. O interesse remonta a 1867, quando o então secretário de Estado William H. Seward considerou sua compra, e se repetiu em 1946, com uma oferta secreta de US$ 100 milhões em ouro . Em 1917, os EUA haviam comprado as Ilhas Virgens da Dinamarca, um precedente histórico que agora é relembrado .
Os motivos por trás desse interesse secular são claros:
A população da Groenlândia, composta majoritariamente por inuit, rejeita massivamente a ideia de tornar-se território americano. 85% dos groenlandeses se opõem ao controle de Washington, segundo pesquisas . Horas antes do anúncio das tarifas, milhares protestaram nas ruas contra as ameaças de anexação .
O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, foi enfático: “Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação” . Paralelamente, uma delegação bipartidária do Congresso dos EUA visitou a ilha para ouvir as lideranças locais. O senador democrata Chris Coons disse que o objetivo era “baixar a temperatura” e levar as preocupações dos groenlandeses a Washington . A delegação incluiu republicanos preocupados com o plano de Trump .
A crise ameaça os alicerces da OTAN. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que qualquer ação militar dos EUA contra a Groenlandia “significaria o fim da OTAN” . A aliança, baseada na defesa coletiva, nunca enfrentou a possibilidade de um membro usar a força contra outro .
Nos bastidores, há esforços diplomáticos. O vice-presidente americano, J.D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, reuniram-se com os chanceleres da Dinamarca e da Groenlândia. Fontes dinamarquesas disseram que Vance propôs encontrar um “meio-termo”, mas que a possibilidade de uma tomada militar não foi discutida . Um alto funcionário dinamarquês resumiu o dilema: “Nossa hipótese de trabalho é que, nesse assunto, o que ele [Trump] diz é o que ele pensa” .
Com a UE se preparando para uma resposta unificada e a Dinamarca recebendo apoio total de seus aliados, a crise ingressa em uma fase crítica, onde a pressão econômica e os princípios da soberania e do direito internacional se chocam frontalmente.
Com informações de: BBC News, G1, Infobae, News.com.au, The Independent, DW ■