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Projeções de 2026 colocam EUA de Trump à beira da recessão
Déficit recorde, fuga de credores, dilema do Fed e fracasso na Venezuela ampliam temores de crise
Analise
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■   Bernardo Cahue, 13/01/2026

Um conjunto de projeções e dados recentes pinta um cenário sombrio para a economia dos Estados Unidos no ano de 2026. No segundo mandato de Donald Trump, o país enfrenta uma combinação perigosa de descontrole fiscal, perda de confiança de investidores estrangeiros, um Federal Reserve (Fed) sob intensa pressão política e o fracasso de planos estratégicos no exterior. Esta análise crítica examina os fatores que podem levar a maior economia do mundo à recessão.

Dívida pública e déficit em escalada perigosa

O sinal mais imediato de desequilíbrio vem das contas públicas. Dados do Departamento do Tesouro norte-americano mostram que o déficit do governo dos EUA atingiu US$ 1,307 trilhão na primeira metade do ano fiscal de 2025 (outubro a março). Esse valor, divulgado em janeiro de 2026, é o maior para um primeiro semestre fiscal desde o auge da pandemia, em 2021. A escalada do endividamento, alimentada por gastos elevados e políticas tributárias, limita a capacidade do governo de reagir a uma eventual crise e sobrecarrega o Tesouro, que precisa rolar cerca de US$ 10 trilhões em títulos que vencem apenas em 2026.

A fuga dos credores: China e Japão liquidam títulos

Paralelamente, os principais credores externos dos EUA estão reduzindo suas exposições. O Japão (maior detentor, com mais de US$ 1 trilhão) e a China (segunda maior, com US$ 760 bilhões) vêm vendendo títulos do Tesouro americano. Esse movimento, acelerado após o "tarifaço" de Trump, reflete tanto preocupações com a sustentabilidade da dívida norte-americana quanto uma guerra financeira estratégica. A China, em particular, usa a venda de títulos como carta de pressão na guerra comercial. A perda desses compradores estruturais força o governo a pagar juros mais altos para atrair investidores, aumentando ainda mais o custo da dívida.

O dilema do Fed: entre a recessão e a inflação

No centro da tormenta está o Federal Reserve. Trump pressiona publicamente por cortes significativos das taxas de juros, aproveitando dados recentes que mostram inflação estável em 2,7% ao ano. No entanto, uma redução precipitada pode reacender a inflação, enquanto a manutenção de juros altos pode asfixiar o crédito e precipitar a recessão. Analistas alertam que, mesmo com uma troca na presidência do Fed – algo que Trump prometeu –, cortes agressivos em 2026 podem não resolver os problemas de acessibilidade e ainda arriscam um retorno da inflação no longo prazo. A contenção da taxa de juros, seja por ação ou por omissão, tornou-se um equilíbrio perigosíssimo.

Venezuela: o plano petrolífero que naufragou

No front externo, uma iniciativa estratégica do governo Trump sofreu um revés significativo. A administração pressionou as grandes petroleiras norte-americanas a investirem capital próprio na reconstrução da indústria de óleo da Venezuela como condição para recuperar créditos de expropriações antigas. No entanto, Exxon Mobil e ConocoPhillips, que têm bilhões a receber, resistem a comprometer novos investimentos, considerando o país ainda "inadequado para investimentos" devido a riscos legais, políticos e de segurança. Sem o capital e a tecnologia dessas empresas, os planos de reativar a produção venezuelana – e obter ganhos geopolíticos – caíram por terra.

Nos bastidores: a sombra da saúde presidencial

Agregando incerteza a esse cenário, rumores e preocupações sobre a saúde cognitiva de Donald Trump circulam nos corredores do poder. Relatos detalham uma agenda pública mais curta, sinais de fadiga visível e episódios em que o presidente, hoje com 79 anos, pareceu cochilar durante eventos oficiais. Apesar das negações formais da Casa Branca, a questão alimenta especulações sobre sua capacidade de liderança em um momento de crise complexa, com alguns chegando a mencionar a palavra "demência" em conversas privadas.

Uma tempestade perfeita

A convergência desses fatores – déficit explosivo, fuga de credores, dilema monetário, fracasso na política externa energética e incertezas sobre a liderança – forma uma tempestade perfeita. As projeções para 2026, portanto, não são meros exercícios estatísticos, mas um alerta vermelho: os Estados Unidos de Donald Trump caminham a passos largos para uma recessão que pode ser profunda e duradoura. A capacidade de resposta das instituições, notadamente do Fed, será posta à prova como nunca neste século.

Com informações de: RealTime1, G1, Investing.com, CNN Brasil, UOL, Reuters, Estadão ■

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