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O primeiro mês de 2026 consolida uma transformação radical na política externa dos Estados Unidos. Sob o segundo mandato do presidente Donald Trump, uma sequência de intervenções militares e ações de força está redesenhando o equilíbrio de poder em regiões críticas, de Caracas a Damasco. Este novo capítulo, descrito pela administração como "paz através da força", marca um afastamento decisivo de décadas de diplomacia multilateral e da ordem baseada em regras, substituindo-as por um exercício de poder unilateral focado em interesses econômicos e segurança imediata. O resultado é um mundo de novas faces geopolíticas, onde antigos Estados-nação são pressionados, sítios são impostos e conflitos congelados são esquecidos, enquanto a comunidade internacional luta para se adaptar a estas novas realidades.
A operação militar que levou à captura do presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro representa o caso mais explícito da nova doutrina em ação. Executada sem autorização do Congresso Americano ou do Conselho de Segurança da ONU, a ação foi justificada com base em interesses de segurança nacional e económicos, notadamente o petróleo. Analistas apontam que esta movimentação cumpre a afirmação de Trump de assumir um controle autoritário sobre o hemisfério ocidental. O futuro do país, no entanto, paira sobre um espectro de cenários instáveis:
Esta intervenção direta é vista por especialistas como um golpe potencialmente fatal na norma internacional que proíbe o uso da força contra a soberania de outro Estado, sinalizando que as grandes potências podem agora operar sob regras diferentes.
Enquanto a Venezuela dominava as manchetes, a política de "demonstração de força" continuava ativa no Oriente Médio. Só nos últimos doze meses, os EUA executaram bombardeios em sete países, incluindo Síria, Iraque, Irã e Iêmen. Na Síria, os ataques foram retaliações diretas a ações do Estado Islâmico (ISIS), realizados em cooperação com as forças de segurança do governo sírio – um parceiro improvável que recentemente aderiu à coligação global contra o ISIS. No Irã, o alvo foram instalações nucleares, numa missão sofisticada para conter o desenvolvimento de armas de destruição em massa[citation:5].
No entanto, é em Gaza que se observa a face mais complexa e paradoxal da nova estratégia. Apesar de um plano de paz americano e um frágil cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025, a situação humanitária permanece "catastrófica".
Paradoxalmente, enquanto a administração Trump se envolve profundamente na estrutura de controle de Gaza, o conflito em si parece ter caído numa espécie de esquecimento estratégico na agenda global, ofuscado por intervenções mais diretas e explosivas noutros lugares.
Por trás destas ações militares pontuais, opera uma reengenharia profunda dos instrumentos da política externa americana. A mudança vai além do uso da força e atinge os pilares da cooperação global:
Este desmonte sistemático não acontece no vácuo. Ele incentiva a autocracia e a desordem a nível global, enquanto potências rivais e atores não estatais recalibram as suas táticas para um mundo onde a lei do mais forte parece regressar ao centro do palco. A nova face mundial é, portanto, uma de transição turbulenta, onde as intervenções americanas criam novos pontos de pressão e instabilidade tão rapidamente quanto suprimem as ameaças imediatas que visam conter.
Com informações de: BBC Mundo, Euronews, Responsible Statecraft, Security Council Report, G1 - Jornal Nacional, The Conversation, Euro-Med Human Rights Monitor ■