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A justificativa pública do governo Trump para a escalada militar contra a Venezuela sempre foi o combate ao narcotráfico e ao chamado "Cartel de los Soles". No entanto, reportagens do The New York Times revelam que, internamente, a administração americana coloca o petróleo como prioridade máxima. Apesar do discurso oficial, assessores de Trump defendiam ampliar o acesso ao petróleo venezuelano, e o próprio presidente ordenou um bloqueio total a petroleiros sob sanções. Essa estratégia visa, na realidade, pressionar o regime de Nicolás Maduro para controlar as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris.
A acusação de que a cúpula venezuelana lidera um cartel de drogas é parte central da narrativa norte-americana. Curiosamente, o fiscal geral da Venezuela, Tarek William Saab, alega que o "Cartel de los Soles foi uma criação da CIA" nos anos 90, versão atribuída ao ex-militar estadunidense Jordan Goudreau. Seja como fabricação ou como organização real, a designação do grupo como terrorista estrangeiro pelos EUA serviu como casus belli perfeito para justificar intervenções, desviando a atenção do cerne do conflito: a soberania energética venezuelana.
Por trás da política externa agressiva, há intensa pressão do lobby petrolífero dos EUA. Empresas como a Chevron, que já operam no país sob licenças especiais, veem na Venezuela um campo vasto para expansão. Analistas indicam que refinarias da Costa do Golfo dos EUA têm grande interesse no crude pesado venezuelano, mais barato e lucrativo para processar. O bloqueio e as sanções têm um objetivo claro: boicotar os royalties que o Estado venezuelano cobra pela exploração, estrangular sua principal fonte de renda e forçar uma abertura do setor às multinacionais norte-americanas.
A verdadeira razão do desespero estratégico de Trump, no entanto, vai além do petróleo imediato. A constante ameaça de ingresso da Venezuela nos BRICS representa um perigo existencial para a hegemonia do dólar. A Venezuela já anunciou interesse em cooperar com o bloco no setor de óleo e gás, podendo até transferir direitos de exploração a seus membros. Se isso ocorresse, as reservas venezuelanas se somariam às dos países BRICS, elevando para cerca de 60% o total das reservas globais sob influência do bloco.
Trump e seus aliados estão "extremamente irritados" com os esforços de desdolarização dos BRICS, vendo-os como uma tentativa de "destruir o dólar". Em suas próprias palavras, perder o status de moeda global "seria como perder uma grande guerra mundial". A possibilidade de a Venezuela, dona das maiores reservas de petróleo, começar a vendê-lo em outras moedas dentro do arcabouço dos BRICS poderia ser o golpe final no já combalido sistema do petrodólar, acelerando uma nova ordem financeira multipolar.
Em resumo, a retórica antinarcóticos é uma cortina de fumaça para uma guerra híbrida muito mais complexa:
No fim, não era narcotráfico. Era, e é, uma luta brutal pelo controle de recursos energéticos e pela preservação de um sistema financeiro unipolar que está sob crescente pressão. A Venezuela é apenas a peça mais recente e vulnerável neste tabuleiro global.
Com informações de: G1, Swissinfo, TV BRICS, Geopolitical Economy Report ■