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Em outubro de 2024, a embaixadora de Israel na Costa Rica, Mijal Gur Aryeh, realizou uma acusação grave: afirmou que o Hezbollah e grupos radicais iranianos mantêm "bases" na Venezuela, Bolívia e Nicarágua. A declaração, feita sem apresentação de provas públicas, ocorreu em um momento crítico – poucos meses após a conturbada reeleição de Nicolás Maduro e no contexto da pressão venezuelana para ingressar no bloco dos BRICS.
Analistas observam que o timing e o conteúdo das alegações não são coincidenciais. Elas se inserem em uma narrativa de longa data dos Estados Unidos e aliados, que retratam o governo Maduro como uma ameaça à segurança regional devido a supostos vínculos com "terrorismo". A embaixadora, significativamente, destacou ter uma cooperação "muito, muito estreita" com os Estados Unidos na América Latina, sugerindo um alinhamento tático.
Pouco depois dessas acusações, a Venezuela via seu caminho para os BRICS ser barrado pelo veto do Brasil durante a cúpula de Kazan. A reação de Caracas foi furiosa, acusando o Brasil de agir como "mensageiro do imperialismo norte-americano". A coincidência temporal levanta questões sobre uma estratégia de cerco multilateral:
Paralelamente ao veto no BRICS, avançava na OEA uma campanha, liderada pelos EUA, pela "entrega das atas" eleitorais venezuelanas. O Centro Carter apresentou à organização documentos que, segundo afirmou, comprovariam a vitória da oposição. Para o governo Maduro e seus simpatizantes, essa não era uma mera exigência técnica, mas parte de um script de deslegitimação que precede intervenções mais agressivas.
A contrapartida, frequentemente explicitada por autoridades estadunidenses, é a ameaça de medidas mais duras, inclusive militares, sob a justificativa de combater o "terrorismo" e restaurar a "democracia". Como denunciado por organizações da sociedade civil no People's BRICS Summit, a narrativa do narcoterrorismo e do apoio ao Hezbollah é vista como um "pretexto" fabricado para atingir um governo que controla as maiores reservas de petróleo do mundo e desafia a hegemonia dos EUA.
Este episódio revela os mecanismos de uma diplomacia de coerção no século XXI:
O caso da embaixadora de Israel na Costa Rica vai além de uma declaração isolada. Ele se mostra como uma peça em um tabuleiro maior, onde a guerra híbrida – combinando informação, diplomacia e ameaça militar – é empregada para impedir a autonomia de Estados considerados adversários. O resultado é o aprofundamento da instabilidade regional e a erosão do espaço para soluções políticas soberanas.
Com informações de: Metrópoles, Swissinfo, Al Jazeera, BBC, Brasil de Fato, G1 ■