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Rússia exige libertação de Maduro e promete apoio à Venezuela
Moscou classifica operação militar americana como "violação inaceitável da soberania" e pede "esclarecimentos imediatos"; tensão geopolítica atinge novo patamar
Leste Europeu
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■   Bernardo Cahue, 03/01/2026

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia exigiu, neste sábado (3), que os Estados Unidos libertem o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores. A exigência ocorre após o presidente americano, Donald Trump, anunciar a captura e remoção forçada do líder venezuelano do país durante um ataque militar "de grande escala". A Rússia qualificou a ação como um "ato de agressão armada" e uma "violação inaceitável da soberania" de um Estado independente.

Em comunicado, a chancelaria russa exigiu "esclarecimentos imediatos" sobre as circunstâncias da captura e pediu firmemente que as autoridades americanas "reconsiderem sua postura". O ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, também expressou por telefone à vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, a firme solidariedade de Moscou e o apoio ao governo venezuelano na proteção de sua soberania.

Operação Americana e Incerteza em Caracas

Na madrugada de sábado, fortes explosões foram ouvidas em Caracas e outras regiões da Venezuela. Pouco depois, Trump anunciou em sua rede social que os EUA realizaram um "ataque em larga escala" e que Maduro e sua esposa foram "capturados" e retirados do país por via aérea. A vice-presidente Delcy Rodríguez, em pronunciamento à televisão estatal, afirmou que o governo venezuelano não sabe o paradeiro de Maduro e exigiu "prova de vida imediata" do governo Trump.

O governo venezuelano decretou estado de emergência e acusou os EUA de uma "agressão militar gravíssima", instando a população a resistir. A Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou que Maduro será julgado em um tribunal de Nova York por acusações relacionadas ao narcotráfico.

Reações Internacionais: Condenações e Preocupação

A ação militar americana gerou uma onda de condenações na América Latina e além, levantando alertas sobre a legalidade do ato e riscos de escalada.

  • Brasil: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou os ataques, afirmando que eles "cruzaram uma linha inaceitável" e representam um "precedente perigoso" que evoca os piores momentos de interferência na região.
  • Colômbia: O presidente Gustavo Petro repudiou a operação e anunciou o reforço de segurança na fronteira, preparando-se para um possível fluxo de refugiados.
  • União Europeia e ONU: A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu uma solução pacífica, enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar "profundamente alarmado" e preocupado com o desrespeito ao direito internacional.
  • China: Também condenou a ação, classificando-a como uma "violação do direito internacional" e do princípio de não intervenção.

Cronologia de uma Escalada

O ataque e a captura de Maduro são o ápice de meses de tensão crescente entre Washington e Caracas. Desde que assumiu o poder no início de 2025, a administração Trump intensificou uma campanha de pressão máxima contra o regime de Maduro.

  1. Fevereiro-Março 2025: EUA designam organizações criminosas venezuelanas como terroristas e iniciam deportações em massa de venezuelanos.
  2. Agosto 2025: A recompensa por informações que levem à prisão de Maduro é dobrada para US$ 50 milhões. Navios de guerra americanos, incluindo um porta-aviões e um submarino nuclear, são enviados para o Caribe.
  3. Setembro-Outubro 2025: As forças americanas iniciam uma série de ataques a embarcações suspeitas de narcotráfico no Caribe e no Pacífico. Trump autoriza a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela.
  4. Novembro 2025: EUA fecham o espaço aéreo da Venezuela. Trump e Maduro têm uma conversa telefônica descrita como "cordial", mas as ameaças militares continuam.
  5. Dezembro 2025 - Janeiro 2026: Sob pressão, Maduro anuncia a libertação de grupos de presos políticos. Trump ordena um bloqueio a petroleiros e anuncia ataques a alvos terrestres, culminando no ataque de grande escala e captura em 3 de janeiro.

Os Próximos Passos e a Disputa pelo Petróleo

Em coletiva de imprensa, Trump declarou que os Estados Unidos "vão governar" a Venezuela até que uma transição de poder segura possa ocorrer, designando pessoas de seu governo para administrar o país. Ele também deixou claro os interesses econômicos, afirmando que "grandes empresas petrolíferas" americanas serão levadas ao país para explorar suas vastas reservas, as maiores do mundo.

Do lado venezuelano, a primeira-dama Cilia Flores está com Maduro. O destino imediato do casal parece ser um tribunal em Nova York, onde enfrentará acusações formais. Enquanto a líder da oposição, María Corina Machado, comemorou a queda de Maduro, a Rússia e outros aliados pressionam por uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, em um cenário que promete manter o mundo em tensão nuclear nas próximas semanas.

Com informações de: Veja, G1, UOL, NPR, Prensa Latina, BBC, Deutsche Welle, CartaCapital, CNN Brasil, Euronews■

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