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O governo da Rússia condenou veementemente a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela neste sábado (3), classificando-a como um "ato de agressão armada" e expressando "profunda preocupação" com os desdobramentos. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores russo defendeu que, "na situação atual, é importante… evitar uma nova escalada e se concentrar em encontrar uma saída para a situação por meio do diálogo". A Rússia também está apoiando convocações para uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para tratar do assunto.
A condenação formal de Moscou não é um posicionamento isolado, mas parte de um apoio diplomático consistente ao governo de Nicolás Maduro. Apenas uma semana antes dos ataques, o Kremlin confirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, havia conversado por telefone com Maduro para reafirmar o apoio de seu governo. Em meados de dezembro, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia já havia alertado que as tensões crescentes em torno da Venezuela poderiam ter "consequências imprevisíveis para todo o Ocidente". A postura russa reafirma, segundo seu comunicado, a "solidariedade com o povo venezuelano e nosso apoio à política de seu governo na defesa dos interesses nacionais e da soberania do país".
A reação russa foi desencadeada pela operação militar de grande escala conduzida pelos Estados Unidos nas primeiras horas da manhã. O presidente Donald Trump anunciou em suas redes sociais que forças americanas "capturaram e retiraram do país" o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A operação, que incluiu bombardeios em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, foi executada pela Delta Force, a unidade de operações especiais de elite do Exército dos EUA.
As justificativas americanas para a ação são baseadas em acusações de longa data. O procurador-geral dos EUA, Pam Bondi, declarou que Maduro e a esposa "em breve enfrentarão toda a força da justiça americana em solo americano", respondendo a acusações federais no Distrito Sul de Nova York que incluem conspiração para narcoterrorismo e importação de cocaína. Maduro tinha uma recompensa de US$ 50 milhões oferecida pelo governo americano por informações que levassem à sua captura.
O ataque direto é o ápice de meses de pressão militar e econômica crescente. Nos últimos tempos, os EUA haviam:
Este contexto inclui um incidente diplomático direto com a Rússia pouco antes do ataque: o governo russo apresentou um pedido diplomático formal (demarche) na véspera do Ano Novo, pedindo que os EUA parassem de perseguir o navio-tanque Bella 1, que estava originalmente a caminho da Venezuela.
A condenação russa se junta a uma onda de reprovação de vários países, embora com nuances, e a algumas celebrações. As reações internacionais se dividem em:
A forte condenação da Rússia e o seu apoio a uma sessão de emergência no Conselho de Segurança da ONU indicam que a crise tem o potencial de se transformar em um novo front de tensão geopolítica entre Washington e Moscou. Enquanto autoridades americanas sugerem que a captura de Maduro pode significar o fim das ações militares, a postura russa deixa claro que as consequências diplomáticas apenas começam. O chamado de Moscou por diálogo contrasta diretamente com a ação militar unilateral, configurando um cenário onde a soberania nacional, o direito internacional e a luta contra o narcotráfico serão temas de um intenso debate global.
Com informações de: Agência Brasil, CBS News, CNN, G1, CNN Brasil, The Chosun Ilbo, Axios, ABC News