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A empresa privada chinesa LandSpace está emergindo como a principal concorrente doméstica da SpaceX de Elon Musk, em meio a um esforço nacional para dominar a tecnologia de foguetes reutilizáveis e reduzir a grande vantagem dos Estados Unidos no setor espacial. Embora ainda esteja anos-luz atrás da cadência de lançamentos da SpaceX, que realizou 165 missões orbitais apenas em 2025, a LandSpace deu um passo crucial no início de dezembro com o primeiro voo orbital de seu novo foguete Zhuque-3, projetado para ser totalmente reutilizável.
O lançamento do Zhuque-3 em 3 de dezembro de 2025 foi um sucesso ambíguo. Por um lado, o foguete de 76.6 metros de altura, movido a metano e oxigênio líquido, atingiu a órbita conforme planejado, demonstrando a potência de seus nove motores Tianque-12B. Por outro, a missão falhou em seu objetivo principal: a recuperação intacta do primeiro estágio (booster), que é o cerne da economia dos foguetes reutilizáveis. Durante a queima final para o pouso, ocorreu uma "combustão anormal" que resultou na perda do booster. A empresa, fundada em 2015 por Zhang Changwu, já anunciou que uma segunda tentativa de recuperação está programada para meados de 2026.
A corrida da LandSpace é amplamente sustentada pelo governo chinês, que vê a dependência de lançadores estrangeiros como um risco estratégico e de segurança nacional. Para acelerar o desenvolvimento, Pequim criou um atalho regulatório para empresas do setor. Em dezembro de 2025, a bolsa de valores de Xangai anunciou que empresas de foguetes reutilizáveis terão um "fast track" para ofertas públicas iniciais (IPOs), sendo isentas de exigências tradicionais de lucratividade. Basta que tenham atingido marcos tecnológicos específicos, como um lançamento orbital bem-sucedido usando a tecnologia reutilizável – exatamente o que a LandSpace acabara de realizar.
O motor por trás dessa frenética busca por lançamentos baratos e frequentes é a guerra pelas megaconstelações de satélites. A SpaceX já colocou quase 9.000 satélites Starlink em órbita. Em resposta, a China está construindo sua própria constelação, a Guowang, que planeja ter até 13.000 satélites. Para implantar uma rede dessa magnitude em tempo hábil, o país precisa de uma capacidade de lançamento massiva e de baixo custo, algo que apenas foguetes reutilizáveis podem proporcionar. Não por acaso, um dos três lançamentos recordes que a China realizou em um único dia, em 2025, levou um novo lote de satélites da Guowang.
A LandSpace não está sozinha. A China possui um ecossistema vibrante de empresas estatais e privadas desenvolvendo lançadores reutilizáveis, em uma competição que lembra os primeiros dias da SpaceX nos EUA. Além da LandSpace, destacam-se:
Especialistas acreditam que, embora muitas dessas empresas possam não sobreviver, a competição deve resultar em lançadores de baixo custo que ampliarão o acesso da China ao espaço.
Apesar do progresso, o fosso tecnológico e operacional entre a China e a SpaceX permanece enorme. Enquanto a LandSpace mira sua primeira recuperação de booster em 2026, a SpaceX refaz voos de seus boosters após 10 a 20 dias de manutenção. Em 2025, a SpaceX realizou mais lançamentos (165) do que todos os países do mundo juntos, sendo responsável por quase dois terços dos lançamentos orbitais globais. O domínio é tão amplo que reduziu o custo de acesso ao espaço para cerca de US$ 2.700 por quilograma em órbita terrestre baixa, um padrão com o qual todos os concorrentes, incluindo os chineses, são forçados a competir.
O caminho da LandSpace para realmente desafiar a SpaceX é longo e capital-intensivo. No entanto, com um claro apoio estatal, investimento privado robusto (a LandSpace já levantou centenas de milhões de dólares) e uma urgência estratégica nacional, a empresa chinesa simboliza a determinação de seu país em transformar o setor espacial de monopólio em um duopólio, redefinindo as regras da nova corrida espacial no século XXI.
Com informações de: India Today, CNBC, SpaceNews, AOL, Reuters, The Economist, Wikipedia ■