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O setor de alta tecnologia de Israel, espinha dorsal da economia e responsável por mais da metade das exportações do país, enfrenta um desafio existencial: uma fuga acelerada de seus talentos para o exterior. Relatórios recentes de entidades do setor e do governo pintam um quadro alarmante de estagnação no emprego local e um aumento histórico no número de profissionais que deixam o país, tendência agravada pela guerra prolongada em Gaza e pela instabilidade política e de segurança.
Dados concretos evidenciam a dimensão do problema. O Relatório de Status de Emprego de 2025 da Autoridade de Inovação de Israel revela que, pela primeira vez em pelo menos uma década, o número total de funcionários do setor de alta tecnologia no país diminuiu, com uma perda de cerca de 5.000 empregos em 2024.
Mais preocupante é a saída de capital humano. No período entre outubro de 2023 e julho de 2024, aproximadamente 8.300 trabalhadores de alta tecnologia deixaram Israel por um ano ou mais, o equivalente a 2,1% da força de trabalho especializada. Um relatório de dezembro de 2025 da Israel Advanced Technology Industries (IATI) confirma a pressão, indicando que 53% das empresas multinacionais em Israel reportaram um aumento nos pedidos de realocação de funcionários israelenses para o exterior no último ano.
A decisão de emigrar é multifatorial, mas o contexto atual criou uma tempestade perfeita:
Apesar do cenário desafiador, o ecossistema tecnológico israelense demonstra resiliência. O relatório da IATI aponta que 57% das multinacionais mantiveram atividades estáveis durante a guerra, e 21% até expandiram suas operações em Israel. No entanto, o próprio relatório adverte que, sem passos ativos do Estado para criar estabilidade regulatória e geopolítica, há risco de erosão gradual no ecossistema local.
A tendência estrutural também é preocupante: há uma mudança no perfil de empregos dentro de Israel, com crescimento concentrado em funções de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e uma contração em cargos de gestão, produtos e operações comerciais, que são cada vez mais realocados para fora.
A fuga de cérebros tecnológicos é parte de um fenômeno migratório mais amplo que preocupa as autoridades. Relatório apresentado ao parlamento israelense (Knesset) mostra que o saldo migratório líquido (mais saídas do que retornos) foi negativo em 125.200 pessoas entre 2022 e agosto de 2024.
Este dado marca uma reversão significativa em relação a pesquisas de anos anteriores, que indicavam que a maioria dos israelenses preferia viver em seu país. O presidente do comitê parlamentar, Gilad Kariv, descreveu a situação como “um tsunami de israelenses que optam por deixar o país”.
A dependência econômica de Israel de seu setor de alta tecnologia torna essa tendência particularmente perigosa. Especialistas alertam que o declínio no setor pode desencadear estagnação econômica.
As respostas, por enquanto, parecem incipientes. Enquanto líderes do setor pedem investimento contínuo e ações estratégicas para manter a competitividade, o governo israelense é criticado por não possuir um plano concreto para conter a emigração. O Ministério da Imigração e Absorção declarou que seu mandato é cuidar de novos imigrantes, e não prevenir a saída de cidadãos. Enquanto isso, Portugal emerge como um dos destinos favoritos dos israelenses que decidem partir.
O futuro da "Start-up Nation" agora depende não apenas de sua capacidade inovadora, mas também de conseguir oferecer a seus talentos razões concretas para permanecer – ou regressar – a um país que enfrenta profundas divisões internas e ameaças externas.
Com informações de: Monitor do Oriente, EU Reporter, Arresala Notícias, Bras-il, RFI, Live Mint ■