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Chefe do Exército suíço adverte sobre vulnerabilidade
Alerta sacode debate nacional sobre segurança diante das tensões europeias
Europa
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■   Bernardo Cahue, 29/12/2025

Em uma declaração rara e contundente, o Comandante do Exército Suíço, Tenente-General Thomas Süssli, afirmou que a Suíça não pode se defender sozinha contra um ataque militar em grande escala. O alerta, que ecoa avaliações internas do governo, expõe vulnerabilidades críticas na defesa aérea, nos estoques de munição e na prontidão das forças, sacudindo o debate nacional sobre segurança e neutralidade em um continente europeu sob tensão.

Um Alerta que Ressoa no Palácio Federal

A declaração do chefe militar não é um ponto isolado, mas parte de um reavaliação profunda da política de segurança conduzida pelo governo. No mesmo dia, o Conselho Federal (governo suíço) lançou oficialmente a consulta para uma nova Estratégia de Política de Segurança, reconhecendo explicitamente a "deterioração significativa" do cenário de segurança. A estratégia, que servirá como diretriz para os próximos anos, baseia-se em três pilares:

  1. Fortalecer a resiliência do país para reduzir vulnerabilidades.
  2. Melhorar a proteção e a prevenção para salvaguardar a população.
  3. Reforçar as capacidades de defesa para enfrentar um ataque armado, se necessário.

O governo já ordenou o início da implementação das medidas, sinalizando urgência diante das ameaças atuais.

As Principais Vulnerabilidades da Defesa Suíça

Na sua avaliação, o General Süssli detalhou as fraquezas que limitam o poder defensivo da nação. A "natureza das ameças mudou", exigindo capacidades que estão aquém do necessário. As lacunas mais críticas incluem:

  • Defesa Aérea Insuficiente: A cobertura terrestre contra mísseis e drones em grande escala é considerada limitada.
  • Estoques de Munição Baixos: As reservas atuais não são adequadas para sustentar um combate de alta intensidade por um período prolongado.
  • Prontidão da Força: Apenas cerca de um terço dos soldados está totalmente equipado, e o modelo de milícia enfrenta desafios de modernização.

Paradoxalmente, a declaração ocorre enquanto o país investe na modernização de sua força aérea com caças F-35A e busca reaproveitar sua extensa rede de bunkers da Guerra Fria para novos fins estratégicos.

O Debate sobre a Neutralidade: Um Conceito Sob Pressão

O alerta militar joga combustível em um intenso debate nacional sobre o futuro da neutralidade suíça, um pilar da identidade do país por séculos. De um lado, uma iniciativa popular conservadora, que será levada a plebiscito em 2026, busca inscrever na Constituição uma "neutralidade perpétua e armada", proibindo sanções unilaterais e alianças militares.

Do outro lado, o governo e analistas defendem que, em um mundo mais perigoso, a neutralidade não pode significar isolamento. Eles argumentam que a proposta congelaria a política externa, tirando a flexibilidade que permitiu à Suíça, por exemplo, adotar as sanções da UE contra a Rússia em 2022. "A neutralidade estrita vai ter utilidade para a Suíça?", questionou a especialista Constanze Stelzenmüller em uma audiência no parlamento suíço.

Na prática, a Suíça já está se movendo para uma cooperação de segurança mais estreita. Em dezembro de 2025, o país e a OTAN definiram novos objetivos para o programa de parceria (2025-2028), focando em melhorar a interoperabilidade militar e a resiliência nacional, dentro dos limites da neutralidade.

Respostas em Andamento: Do Serviço Militar aos Bunkers

Enquanto o debate político segue, ações concretas estão em marcha para elevar o nível de preparação:

  • Reativação de Bunkers: O exército suspendeu a venda de cerca de 8.000 bunkers desativados e iniciou um projeto para transformá-los em "nós de defesa difíceis de atacar", integrando tecnologia moderna. A rede civil de mais de 370.000 abrigos, a maior per capita do mundo, também está sendo reavaliada e modernizada.
  • Debate sobre o Serviço Obrigatório: Recentemente, os suíços rejeitaram em referendo uma proposta para substituir o serviço militar obrigatório (só para homens) por um serviço cívico universal (incluindo mulheres). A discussão, porém, evidenciou a necessidade de garantir efetivos suficientes para a defesa e a proteção civil.
  • Investimento em Tecnologia: Relatórios oficiais destacam a necessidade de desenvolver um "ecossistema de drones" nacional e modernizar laboratórios de defesa contra ameaças químicas e biológicas.

A mensagem das autoridades é clara: em um mundo que mudou, a Suíça histórica da neutralidade passiva e do "dividendo da paz" precisa evoluir para um modelo de neutralidade preparada e resiliente. Como resumiu o General Süssli, o objetivo é a dissuasão, mas isso requer um exército crível e uma nação organizada. A declaração franca de seu principal comandante é o sinal mais evidente de que o país alpino reconhece a dimensão do desafio pela frente.

Com informações de: news.admin.ch (Governo Suíço), Swissinfo.ch, TheDefenseWatch.com, CSS.ethz.ch, Época Negócios, Forte.jor.br, RFI ■

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