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Em uma declaração rara e contundente, o Comandante do Exército Suíço, Tenente-General Thomas Süssli, afirmou que a Suíça não pode se defender sozinha contra um ataque militar em grande escala. O alerta, que ecoa avaliações internas do governo, expõe vulnerabilidades críticas na defesa aérea, nos estoques de munição e na prontidão das forças, sacudindo o debate nacional sobre segurança e neutralidade em um continente europeu sob tensão.
A declaração do chefe militar não é um ponto isolado, mas parte de um reavaliação profunda da política de segurança conduzida pelo governo. No mesmo dia, o Conselho Federal (governo suíço) lançou oficialmente a consulta para uma nova Estratégia de Política de Segurança, reconhecendo explicitamente a "deterioração significativa" do cenário de segurança. A estratégia, que servirá como diretriz para os próximos anos, baseia-se em três pilares:
O governo já ordenou o início da implementação das medidas, sinalizando urgência diante das ameaças atuais.
Na sua avaliação, o General Süssli detalhou as fraquezas que limitam o poder defensivo da nação. A "natureza das ameças mudou", exigindo capacidades que estão aquém do necessário. As lacunas mais críticas incluem:
Paradoxalmente, a declaração ocorre enquanto o país investe na modernização de sua força aérea com caças F-35A e busca reaproveitar sua extensa rede de bunkers da Guerra Fria para novos fins estratégicos.
O alerta militar joga combustível em um intenso debate nacional sobre o futuro da neutralidade suíça, um pilar da identidade do país por séculos. De um lado, uma iniciativa popular conservadora, que será levada a plebiscito em 2026, busca inscrever na Constituição uma "neutralidade perpétua e armada", proibindo sanções unilaterais e alianças militares.
Do outro lado, o governo e analistas defendem que, em um mundo mais perigoso, a neutralidade não pode significar isolamento. Eles argumentam que a proposta congelaria a política externa, tirando a flexibilidade que permitiu à Suíça, por exemplo, adotar as sanções da UE contra a Rússia em 2022. "A neutralidade estrita vai ter utilidade para a Suíça?", questionou a especialista Constanze Stelzenmüller em uma audiência no parlamento suíço.
Na prática, a Suíça já está se movendo para uma cooperação de segurança mais estreita. Em dezembro de 2025, o país e a OTAN definiram novos objetivos para o programa de parceria (2025-2028), focando em melhorar a interoperabilidade militar e a resiliência nacional, dentro dos limites da neutralidade.
Enquanto o debate político segue, ações concretas estão em marcha para elevar o nível de preparação:
A mensagem das autoridades é clara: em um mundo que mudou, a Suíça histórica da neutralidade passiva e do "dividendo da paz" precisa evoluir para um modelo de neutralidade preparada e resiliente. Como resumiu o General Süssli, o objetivo é a dissuasão, mas isso requer um exército crível e uma nação organizada. A declaração franca de seu principal comandante é o sinal mais evidente de que o país alpino reconhece a dimensão do desafio pela frente.
Com informações de: news.admin.ch (Governo Suíço), Swissinfo.ch, TheDefenseWatch.com, CSS.ethz.ch, Época Negócios, Forte.jor.br, RFI ■