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Itália desarticula rede de financiamento ao Hamas
Operação conjunta das polícias italiana, holandesa e da Eurojust interceptou um fluxo de cerca de 7 milhões de euros que, arrecadados para ajuda humanitária, eram desviados para o grupo classificado como terrorista pela UE
Europa
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■   Bernardo Cahue, 29/12/2025

Promotores da cidade de Gênova, no norte da Itália, coordenaram uma operação de grande escala que resultou na prisão de nove pessoas neste sábado (27). Os detidos são acusados de integrar e financiar o grupo Hamas por meio de instituições de caridade sediadas na Itália. A polícia também apreendeu bens no valor de mais de 8 milhões de euros.

Segundo as investigações, os suspeitos operavam um sistema complexo de captação de fundos, com sede em Gênova e ramificações em Milão. O esquema funcionava da seguinte maneira:

  • Fachada humanitária: As doações eram publicamente arrecadadas para "fins humanitários em favor do povo palestino".
  • Desvio sistemático: Investigadores apuraram que mais de 71% do total arrecadado — aproximadamente 7,3 milhões de euros — era direcionado ao Hamas ou a entidades a ele ligadas.
  • Triangulação financeira: Os valores eram movimentados por meio de operações de triangulação com bonificios bancários e associações no exterior para entidades em Gaza, territórios palestinos ou Israel, controladas pelo Hamas.

Envolvidos e alcance internacional da rede

Entre os presos está uma figura central: Mohammad Hannoun, presidente da Associação dos Palestinos na Itália. A Justiça italiana o descreve como o "vértice da célula italiana" do Hamas. Hannoun, que tem cidadania jordaniana e vive na Itália há 40 anos, nega as acusações. Em declarações à imprensa, afirmou: "É uma bufada que eu seja um líder de Hamas. Sou simplesmente um palestino engajado... e simpatizante do Hamas como sou de toda facção que luta pelos meus direitos".

A operação foi resultado de uma investigação internacional que se iniciou após a sinalização de transações financeiras suspeitas. O caso foi ampliado graças à cooperação com autoridades dos Países Baixos e de outros países da União Europeia, coordenada pela agência judicial europeia, a Eurojust. Dois outros suspeitos, que estão fora da Itália, são alvo de mandados de prisão internacional.

Reações políticas e contexto

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, agradeceu publicamente às autoridades pela "operação particularmente complexa e importante" que desmantelou o financiamento ao Hamas por meio de "chamadas organizações de caridade". O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, também celebrou a ação, afirmando que ela "removeu o véu de comportamentos e atividades que, sob a aparência de iniciativas em favor da população palestina, escondiam o apoio e a participação em organizações terroristas". Ele, no entanto, ressaltou que a presunção de inocência dos acusados deve ser respeitada nesta fase.

O caso ocorre em um momento de grande tensão política na Itália em relação ao conflito no Oriente Médio. O forte apoio do governo Meloni a Israel durante a guerra em Gaza tem provocado protestos frequentes e massivos nas ruas do país. As prisões desta operação também foram acompanhadas por um protesto de solidariedade em Milão.

Com informações de: Reuters via UOL, O Globo, Rai News, Folha de S.Paulo, BBC, Vatican News, Observador, Veja, CNN, InfoMoney ■

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