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Rússia desfere grande ofensiva aérea contra Kiev na véspera de cúpula crucial pela paz
Ataque com centenas de drones e mísseis causa mortes, deixa capital sem aquecimento e lança sombra sobre reunião entre presidentes da Ucrânia e EUA
Leste Europeu
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■   Bernardo Cahue, 27/12/2025

Na madrugada de sábado, 27 de dezembro, a Rússia lançou um dos mais longos e intensos ataques aéreos contra a Ucrânia nos últimos meses, visando a capital Kiev e outras regiões. O bombardeio, que durou cerca de dez horas, ocorre às vésperas de um encontro decisivo entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcado para domingo, 28, na Flórida, com o objetivo de avançar em um plano para encerrar a guerra.

As autoridades ucranianas relataram um saldo trágico: pelo menos uma pessoa morta e dezenas feridas. A vítima fatal foi uma mulher de 47 anos, e entre os feridos está um adolescente de 16 anos. O ataque, que empregou aproximadamente 500 drones e 40 mísseis, incluindo os supersônicos Kinzhal, teve como alvo principal a infraestrutura civil e energética. As consequências para a população são graves em meio a um inverno rigoroso:

  • Um terço da cidade de Kiev ficou sem aquecimento, afetando 2.600 prédios residenciais, escolas e creches.
  • Cerca de 320 mil residências na região da capital perderam o fornecimento de energia elétrica.
  • Incêndios foram registrados em diversos distritos, incluindo em edifícios residenciais altos.

Em resposta à ofensiva, a Polônia, país vizinho e membro da OTAN, acionou caças de combate e fechou temporariamente os aeroportos de Rzeszow e Lublin, próximos à fronteira, como uma medida "preventiva" para a segurança de seu espaço aéreo.

Ofensiva militar como pressão nas delicadas negociações de paz

O ataque é visto como uma manobra de força da Rússia em um momento de frágeis negociações diplomáticas. Em suas redes sociais, o presidente Zelensky acusou a liderança russa de não querer o fim da guerra e de buscar "usar toda oportunidade para causar à Ucrânia sofrimento ainda maior". Ele afirmou que, enquanto representantes russos participam de longas conversas, "na realidade, são os Kinzhals e 'Shaheds' [drones] que falam por eles".

O encontro entre Zelensky e Trump, preparado há semanas, tem como pano de fundo um plano de paz revisado, com 20 pontos. Esta é uma versão modificada de uma proposta inicial de 28 pontos, revelada em novembro, que foi duramente criticada por Kiev e aliados europeus por conceder demasiado à Rússia. Zelensky declarou que o documento atual está "90% pronto" e que o objetivo da reunião é "levar tudo a 100%".

No entanto, os principais pontos de atrito permanecem sem solução e devem dominar a pauta em Florida:

  1. Controle Territorial: A Rússia exige que a Ucrânia se retire de partes da região de Donetsk que ainda controla, buscando o domínio total do Donbas. Kiev propõe um congelamento das linhas de frente atuais.
  2. Usina Nuclear de Zaporizhzhia: O controle da maior usina nuclear da Europa, atualmente ocupada por tropas russas, é outro tema crítico.
  3. Garantias de Segurança: A Ucrânia busca acordos legalmente vinculantes com os EUA e aliados que assegurem sua defesa no futuro, um substituto para a adesão à OTAN, da qual parece estar se afastando como concessão.

Em entrevista ao Politico, Trump adotou um tom que mistura otimismo com assertividade sobre seu papel central: "A reunião deve ser boa... mas ele [Zelensky] não tem nada até que eu aprove". O presidente americano também mencionou que espera falar com o presidente russo, Vladimir Putin, "em breve, o quanto eu quiser".

Cenário internacional se mobiliza em meio a incertezas

Antes de seguir para os Estados Unidos, Zelensky fez uma parada no Canadá, onde se reuniu com o primeiro-ministro Mark Carney. O líder canadense anunciou um novo pacote de assistência econômica de 2,5 bilhões de dólares canadenses para a reconstrução da Ucrânia. Carney afirmou que uma paz justa e duradoura é possível, mas que "requer uma Rússia disposta".

O Kremlin, por sua vez, manteve sua narrativa. Atribuiu os ataques a alvos militares e infraestrutura energética supostamente usada para o esforço de guerra ucraniano. Sobre as negociações, o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, afirmou que a versão ucraniana do plano de 20 pontos "difer radicalmente" do que foi discutido anteriormente entre Washington e Moscou, mas ainda assim manifestou otimismo ao ver um "ponto de virada" nas tratativas.

Enquanto equipes de resgate ainda trabalhavam nos escombros em Kiev e milhares enfrentavam o frio sem aquecimento, a comunidade internacional observa com apreensão a cúpula de domingo. O ataque massivo não apenas intensificou o sofrimento humano, mas também aumentou dramaticamente as apostas para a diplomacia, tornando clara a mensagem de que o caminho para a paz permanece minado pela violência e pela desconfiança.

Com informações de: G1, CNN Brasil, Al Jazeera, Poder360, TIME, UOL, CNN, Metrópoles, Expresso, Deutsche Welle■

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