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A Alemanha estabeleceu sua primeira brigada militar permanente no exterior desde a Segunda Guerra Mundial, posicionando-se na Lituânia, país que faz fronteira com o exclave russo de Kaliningrado e com a Belarus, aliada de Moscou. A unidade, que terá 4.800 soldados e 2.000 veículos quando estiver totalmente operacional no final de 2027, representa uma mudança histórica na postura de defesa alemã.
Durante cerimônia de apresentação da 45.ª Brigada Blindada em Vilnius, o chanceler alemão Friedrich Merz foi categórico: "Quem ameaçar um aliado deve saber que toda a aliança defenderá em conjunto cada centímetro do território da NATO". Merz acrescentou que "proteger Vilnius é proteger Berlim", garantindo aos lituanos que podem contar com a Alemanha.
O cenário de tensão levou à realização da série de exercícios "Quadriga 2025", uma das maiores demonstrações de poder militar desde o fim da Guerra Fria. A operação envolve aproximadamente 8.000 soldados alemães e 13 parceiros da OTAN, ensaiando um cenário real: a defesa do flanco oriental da aliança.
Os exercícios são uma resposta direta ao exercício militar russo-bielorrusso "Zapad-2025", que causa preocupação no Ocidente devido ao histórico de que manobras similares precederam invasões reais, como ocorreu com a Ucrânia em 2022.
No centro da estratégia defensiva está o Corredor de Suwalki, uma faixa de terra de apenas 65 quilômetros entre a Polônia e a Lituânia que conecta os Estados Bálticos ao restante do território da OTAN. Esta região é considerada particularmente vulnerável, pois em caso de conflito, a Rússia poderia isolar completamente os Estados Bálticos de seus aliados em 30 a 60 horas.
Para fazer frente aos compromissos assumidos, a Alemanha confirmou a volta do serviço militar, inicialmente de forma voluntária, mas com um gatilho de obrigatoriedade caso as Forças Armadas não consigam atrair jovens suficientes a partir de 2026. O sistema é inspirado nos modelos dos países nórdicos e oferece salário mensal bruto de € 2.800 como incentivo.
De acordo com os protocolos da OTAN, a Alemanha precisa aumentar seu efetivo dos atuais 182 mil integrantes para até 260 mil em 2035. O país também flexibilizou seu travão constitucional à dívida para financiar um aumento significativo dos gastos em defesa, que subiram de 1,19% do PIB em 2014 para 2,12% no ano passado.
O fortalecimento militar ocorre em meio a tentativas de negociação de paz para a Ucrânia. Os Estados Unidos apresentaram um plano de 28 pontos que prevê concessões territoriais à Rússia e limitações militares à Ucrânia, mas alemães, franceses e britânicos propuseram alterações significativas ao texto.
Enquanto o Kremlin considerou a proposta americana "totalmente aceitável" em muitas disposições, classificou a contraproposta europeia como "completamente não construtiva e que não funciona para nós", aprofundando o descompasso diplomático entre Washington e suas aliadas europeias.
Com informações de: CNN Brasil, Deutsche Welle, Folha de S.Paulo, O Globo, Público, RTP, UOL ■