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Alemanha mobiliza tropas da OTAN no leste europeu
Chanceler Friedrich Merz afirma que aliados estão prontos para defender "cada centímetro" do território da aliança, em meio a exercícios militares de grande escala e à reinstituição do serviço militar voluntário no país
Europa
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■   Bernardo Cahue, 27/11/2025

Brigada permanente na Lituânia

A Alemanha estabeleceu sua primeira brigada militar permanente no exterior desde a Segunda Guerra Mundial, posicionando-se na Lituânia, país que faz fronteira com o exclave russo de Kaliningrado e com a Belarus, aliada de Moscou. A unidade, que terá 4.800 soldados e 2.000 veículos quando estiver totalmente operacional no final de 2027, representa uma mudança histórica na postura de defesa alemã.

Durante cerimônia de apresentação da 45.ª Brigada Blindada em Vilnius, o chanceler alemão Friedrich Merz foi categórico: "Quem ameaçar um aliado deve saber que toda a aliança defenderá em conjunto cada centímetro do território da NATO". Merz acrescentou que "proteger Vilnius é proteger Berlim", garantindo aos lituanos que podem contar com a Alemanha.

Exercícios militares em larga escala

O cenário de tensão levou à realização da série de exercícios "Quadriga 2025", uma das maiores demonstrações de poder militar desde o fim da Guerra Fria. A operação envolve aproximadamente 8.000 soldados alemães e 13 parceiros da OTAN, ensaiando um cenário real: a defesa do flanco oriental da aliança.

Os exercícios são uma resposta direta ao exercício militar russo-bielorrusso "Zapad-2025", que causa preocupação no Ocidente devido ao histórico de que manobras similares precederam invasões reais, como ocorreu com a Ucrânia em 2022.

O calcanhar de Aquiles da OTAN

No centro da estratégia defensiva está o Corredor de Suwalki, uma faixa de terra de apenas 65 quilômetros entre a Polônia e a Lituânia que conecta os Estados Bálticos ao restante do território da OTAN. Esta região é considerada particularmente vulnerável, pois em caso de conflito, a Rússia poderia isolar completamente os Estados Bálticos de seus aliados em 30 a 60 horas.

Reforma militar alemã

Para fazer frente aos compromissos assumidos, a Alemanha confirmou a volta do serviço militar, inicialmente de forma voluntária, mas com um gatilho de obrigatoriedade caso as Forças Armadas não consigam atrair jovens suficientes a partir de 2026. O sistema é inspirado nos modelos dos países nórdicos e oferece salário mensal bruto de € 2.800 como incentivo.

De acordo com os protocolos da OTAN, a Alemanha precisa aumentar seu efetivo dos atuais 182 mil integrantes para até 260 mil em 2035. O país também flexibilizou seu travão constitucional à dívida para financiar um aumento significativo dos gastos em defesa, que subiram de 1,19% do PIB em 2014 para 2,12% no ano passado.

Contexto diplomático tenso

O fortalecimento militar ocorre em meio a tentativas de negociação de paz para a Ucrânia. Os Estados Unidos apresentaram um plano de 28 pontos que prevê concessões territoriais à Rússia e limitações militares à Ucrânia, mas alemães, franceses e britânicos propuseram alterações significativas ao texto.

Enquanto o Kremlin considerou a proposta americana "totalmente aceitável" em muitas disposições, classificou a contraproposta europeia como "completamente não construtiva e que não funciona para nós", aprofundando o descompasso diplomático entre Washington e suas aliadas europeias.

Com informações de: CNN Brasil, Deutsche Welle, Folha de S.Paulo, O Globo, Público, RTP, UOL ■

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