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Resistência Palestina classifica como "crime de guerra" projeto de lei israelense de pena de morte
Proposta, apoiada pelo primeiro-ministro Netanyahu, avança no parlamento israelense e gera condenação internacional
Oriente-Medio
Foto: https://f.i.uol.com.br/fotografia/2023/11/20/1700507225655bae5919749_1700507225_3x2_md.jpg
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■   Bernardo Cahue, 16/11/2025

Movimentos de resistência palestinos condenaram veementemente a aprovação, em primeira leitura, de um projeto de lei no parlamento israelense, a Knesset, que autorizaria a execução de prisioneiros palestinos. A iniciativa, descrita como um "crime de guerra" e um "ato fascista" pelos grupos palestinos, foi aprovada com 36 votos a favor e 15 contra, mas ainda precisa superar duas leituras adicionais e uma revisão em comissão para entrar em vigor.

Os Detalhes da Lei e o Processo Legislativo

O projeto de lei, impulsionado pelo partido de extrema direita Poder Judío, liderado pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, estabelece que "se imporá a pena de morte a toda pessoa que, intencionalmente ou por indiferença, cause a morte de um cidadão israelense por motivos racistas, ódio ou com a intenção de danificar ao Estado de Israel". Conforme o procedimento legislativo israelense, os projetos de lei devem superar três leituras na Knesset para se tornarem lei.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu expressou seu apoio à medida. De acordo com o coordenador israelense para reféns e pessoas desaparecidas, Gal Hirsch, Netanyahu afirmou que anteriormente se opunha ao projeto "devido ao risco que representava para a vida dos reféns que ainda vivem em Gaza". No entanto, o primeiro-ministro teria dito: "Os reféns estão vivos, por isso minha oposição já não tem fundamento".

A Reação da Resistência Palestina e a Condenação Internacional

Os grupos palestinos reagiram com unidade na rejeição à proposta legislativa:

  • O movimento Hamás denunciou a iniciativa como uma "extensão da abordagem racista e criminal do governo sionista" e um intento de "legalizar o assassinato sistemático e massivo de nosso povo palestino que vive sob a ocupação".
  • A Jihad Islâmica interpretou a legislação como uma perigosa escalada dentro da prática sistemática de "extermínio e limpeza" contra o povo palestino.
  • O Frente Popular para a Liberação da Palestina (FPLP) a qualificou diretamente como "crime de guerra com todas as letras" e um "passo fascista" .

Além disso, as autoridades palestinas emitiram um comunicado oficial por meio do Ministério das Relações Exteriores e Expatriados, afirmando que a lei "é um crime de guerra e exacerba o extremismo israelense sob escrutínio internacional". O ministério acrescentou que a proposta "constitui uma declaração oficial de crimes de guerra e crimes de lesa-humanidade".

A condenação se estendeu a nível regional. O Parlamento Árabe emitiu um comunicado no qual qualifica o projeto como "um novo crime" que se soma ao histórico de violações da ocupação e representa "uma violação flagrante do direito internacional humanitário e dos Convenios de Genebra" . No Líbano, partidos e forças nacionais também condenaram a lei, considerando-a um reflexo da "natureza brutal e criminal que rege as ações dos partidos sionistas" .

O Contexto das Prisões e a Pressão Internacional

A polêmica lei surge em um contexto em que, segundo grupos de direitos humanos palestinos e israelenses, mais de 10.000 palestinos se encontram atualmente encarcerados em prisões israelenses, incluindo mulheres e crianças. Essas organizações afirmam que os detidos sofrem com tortura, inanição e negligência médica, condições que supostamente se agravaram sob a gestão de Ben-Gvir, com restrições a visitas familiares, redução de rações de comida e limitação de acesso a duchas.

Esta iniciativa legislativa se enquadra em um momento de crescente pressão internacional sobre Israel. Meios de comunicação e analistas têm comparado a situação atual com o "momento Sudáfrica", referindo-se ao movimento global que pressionou pelo fim do apartheid. Nos últimos meses, vários países anunciaram medidas como o reconhecimento do Estado palestino, a imposição de sanções a ministros israelenses de linha dura e a revisão de acordos comerciais com Israel. Organizações de direitos humanos globais já condenaram a proposta de lei de execução por violar o direito internacional humanitário .

Com informações de: Agencia Anadolu, teleSUR, TRT Espanhol, BBC, Qatar News Agency (QNA), Facebook - Palestina Costa Rica, Facebook - Embajada Palestina Chile, Agencia AJN, SwissInfo. ■

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