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Furacão Melissa deixa 50 mortos no Caribe e segue como ciclone pós-tropical
Tempestade, que foi a mais forte a atingir a Jamaica em 90 anos, causou destruição catastrófica e agora se afasta das Bermudas em direção ao Atlântico Norte
Central e Caribe
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTvl9oLz3ZWwAvgqSKVWHEBmBKUhB9lROG8WQ&s
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■   Bernardo Cahue, 01/11/2025

O furacão Melissa deixou um rastro de destruição pelo Caribe, com o número de mortos confirmados subindo para 50, de acordo com balanços oficiais divulgados nesta sexta-feira (31). A tempestade, que chegou à categoria 5, o nível máximo, foi a mais forte a atingir a Jamaica em nove décadas e causou dezenas de mortes no Haiti, mesmo sem um impacto direto no país.

Após passar pela região das Bermudas, o fenômeno perdeu força e foi reclassificado como um ciclone pós-tropical pelo Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC). Espera-se que ele atinja o nordeste dos Estados Unidos e o leste do Canadá ainda nesta sexta-feira, já transformado em um ciclone extratropical, mas sem previsão de tocar o solo norte-americano.

Balanço de vítimas e danos por país

  • Haiti: Registrou 31 mortos, sendo dez crianças, e outras 20 pessoas estão desaparecidas. A maioria das vítimas foi em Petit-Goâve, onde um rio transbordou. O país, que não foi atingido diretamente pelo olho do furacão, sofreu com dias de chuvas torrenciais.
  • Jamaica: Confirmou 19 mortes. O furacão, que atingiu o território como um furacão de categoria 5, foi o mais potente da história do país, deixando centenas de milhares de pessoas sem energia elétrica e causando destruição generalizada.
  • Cuba: Não houve registro de mortes, mas as províncias de Santiago de Cuba, Holguín e Guantánamo foram fortemente afetadas. Cerca de 735 mil pessoas foram evacuadas para abrigos, e muitas comunidades ficaram isoladas.

Trajetória e intensidade recorde

O Melissa tocou o sudoeste da Jamaica na terça-feira (28) como um furacão de categoria 5, com ventos que atingiram cerca de 300 km/h. Esse foi o mais forte furacão já registrado a atingir diretamente a Jamaica e o primeiro grande furacão a tocar o solo no país desde 1988.

Na manhã desta sexta-feira (31), o sistema já estava a 264 km a oeste das Bermudas, com ventos máximos sustentados de 155 km/h, sendo classificado como furacão de categoria 2. Horas depois, foi redesignado como ciclone pós-tropical, distanciando-se rapidamente das ilhas.

Por que Melissa foi tão destrutivo?

Os meteorologistas apontam três fatores principais que explicam o poder de destruição do furacão Melissa :

  1. Águas extraordinariamente quentes: As temperaturas no Caribe Ocidental estavam cerca de 2°C a 3°C acima da média, fornecendo mais energia para a tempestade.
  2. Movimento extremamente lento: Com deslocamento abaixo de 6,4 km/h, o furacão permaneceu sobre as mesmas áreas por longos períodos, ampliando o tempo de chuvas torrenciais e ventos destrutivos.
  3. Falta de cisalhamento de vento: A ausência de ventos fortes na alta atmosfera que poderiam fragmentar a tempestade permitiu que ela se organizasse e se intensificasse de forma contínua.

Mudanças climáticas e ajuda internacional

Cientistas do Imperial College de Londres afirmaram que a intensidade e o poder destrutivo do Melissa foram amplificados pelas mudanças climáticas induzidas por atividades humanas. A proporção de furacões muito intensos (categorias 4 e 5) deve aumentar globalmente com o aquecimento do planeta.

Diante da catástrofe, uma operação de ajuda internacional foi acionada. Os Estados Unidos enviaram equipes de busca e resgate para a Jamaica, Haiti, República Dominicana e Bahamas, e ofereceram ajuda humanitária a Cuba. O Reino Unido prometeu US$ 3,3 milhões em ajuda emergencial, e países como Venezuela e El Salvador também enviaram suprimentos.

Com informações de: G1, Folha de S.Paulo, BBC, UOL, SwissInfo, Zoom Earth, AccuWeather, The Guardian, CNN, Panrotas. ■

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