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C40 e COP30 são citados pela mídia internacional sobre o dia que parou o Rio
Operação mais letal da história do estado, que mobilizou 2.500 policiais, é repercutida internacionalmente pela conexão com a cúpula do clima e gera críticas de organizações de direitos humanos
Analise
Foto: img/20251028223900.fw.png
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■   Bernardo Cahue, 28/10/2025

Uma megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, resultou na morte de 64 pessoas nesta terça-feira (28), tornando-se a mais letal da história do estado. A ação, que teve como alvo a facção Comando Vermelho (CV), ocorre dias antes da cidade sediar importantes eventos ligados à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), fato amplamente destacado pela imprensa internacional.

Contexto Internacional: A Sombra sobre a COP30

A cobertura internacional foi unânime em ligar a timing da operação aos eventos climáticos de alto nível que o Rio sediará em breve. Na próxima semana, a cidade receberá a Cúpula Mundial de Prefeitos do C40, co-organizada pelo prefeito de Londres, Sadiq Khan, e pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. O evento dará início ao Fórum de Líderes Locais da COP30, colocando a liderança municipal no centro das negociações climáticas globais.

Imediatamente após o C40, ocorrerá a cerimônia do Prêmio Earthshot, criado pelo Príncipe William, que contará com a presença de celebridades como a cantora Kylie Minogue. Estes eventos são considerados cruciais para construir momentum antes da COP30, que acontece em Belém do Pará em novembro. A agência Reuters e o jornal britânico The Guardian lembraram que operações policiais de grande escala são comuns no Rio antes de eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016, a cúpula do G20 em 2024 e a reunião dos BRICS em junho deste ano.

A Repercussão Global: "Rio em Guerra"

Veículos de comunicação ao redor do mundo deram grande destaque à violência, utilizando expressões fortes para descrever a situação:

  • The Guardian (Reino Unido): Descreveu o episódio como "o pior dia de violência do Rio" e um "dia histórico de derramamento de sangue", destacando as "imagens chocantes" de vítimas jovens que circularam nas redes sociais.
  • El País (Espanha): Afirmou que a cidade sofreu com "intensos tiroteios" e se tornou um "cenário de caos colossal". O jornal também citou a queixa do governador Castro de que "o Rio está sozinho nesta guerra".
  • Clarín (Argentina): Reportou que a megaoperação deixou "cenas de guerra no Rio de Janeiro", com vídeos mostrando colunas de fumaça e fogo sobre as favelas, reminiscentes de cidades em conflitos armados.
  • Público (Portugal): Salientou a tática inovadora dos criminosos, que utilizaram drones para lançar granadas contra as forças de segurança.

Críticas e o Apelo por Investigação

A operação enfrentou fortes críticas de organizações de direitos humanos e de especialistas em segurança pública. O Alto Comissariado dos Direitos Humanos da ONU emitiu um comunicado dizendo-se "horrorizado" com a ação.

"Esta operação mortal reforça a tendência de consequências letais extremas das operações policiais nas comunidades marginalizadas do Brasil. Lembramos às autoridades suas obrigações sob o direito internacional dos direitos humanos e pedimos investigações rápidas e eficazes", declarou o órgão.

Internamente, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) cobrou explicações formais do Ministério Público e das polícias sobre as circunstâncias da operação. A deputada Dani Monteiro (PSOL), presidente da comissão, afirmou que a ação transformou as favelas "em cenário de guerra e barbárie" e que "nenhuma política de segurança pode se sustentar sobre esse banho de sangue".

Especialistas questionam a eficácia de operações desta magnitude. Luis Flavio Sapori, sociólogo e especialista em segurança pública, argumentou que essas ações são ineficientes porque não costumam prender os mandantes do crime, apenas subalternos que são rapidamente substituídos. "O que há de diferente na operação de hoje é a magnitude das vítimas — são números de guerra", disse.

Enquanto a cidade se prepara para receber o mundo e discutir o futuro do planeta, as imagens de violência e o debate sobre políticas de segurança colocam em evidência um desafio antigo e não resolvido do Rio de Janeiro.

Com informações de ABC News, Agencia Brasil, C40.org, CNN Brasil, Estadão, G1, Moneycontrol e ONU.■

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