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Espanha se une à Itália em escolta militar inédita a flotilha rumo a Gaza
Decisão histórica de governos europeus amplia tensão diplomática com Israel, que promete impedir a passagem dos navios
Europa
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■   Bernardo Cahue, 29/09/2025

Em uma ação sem precedentes, a Espanha decidiu enviar um navio de guerra para auxiliar a Flotilha Global Sumud, que navega em direção à Faixa de Gaza com ajuda humanitária. A medida, anunciada na quinta-feira (25/09), segue iniciativa similar da Itália e representa uma escalada no envolvimento europeu direto no conflito, intensificando o embate diplomático com Israel.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, justificou a decisão como uma forma de proteger cidadãos espanhóis e de outras nacionalidades a bordo, exigindo o cumprimento do direito internacional e a segurança da navegação no Mediterrâneo. O navio de ação marítima Furor (P-46) partiu do porto de Cartagena, equipado para prestar assistência e realizar resgates.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou que a proteção fornecida pelo navio militar "não representa uma ameaça a ninguém, incluindo Israel". A Espanha também aceitou pedidos da Bélgica e estava em conversações com a Irlanda para auxiliar seus cidadãos na flotilha.

Limitações da Missão e Riscos Iminentes

Apesar da presença militar, as regras de engajamento estabelecidas pelos governos europeus são estritamente defensivas. Fontes militares espanholas deixaram claro que o navio Furor tem uma missão de salvamento e não de combate.

  • Os navios militares não estão autorizados a entrar nas 12 milhas náuticas ao largo de Gaza, controladas pela marinha israelita.
  • Eles não podem responder a um ataque israelense contra a flotilha, mesmo que os barcos civis sejam alvejados ou bombardeados.
  • O uso de armas a bordo do Furor só é permitido em cenário de legítima defesa, caso o navio espanhol seja atacado diretamente – e mesmo assim, após autorização do governo.

Ataques e o Caminho pela Frente

A decisão europeia ocorreu após a flotilha relatar ter sido alvo de ataques com drones em águas internacionais, a cerca de 30 milhas náuticas da ilha grega de Gavdos. Os organizadores relataram que os drones lançaram granadas de atordoamento e pó de mico sobre as embarcações, causando danos a alguns barcos, mas sem ferir nenhum ativista. Os membros da flotilha culparam Israel pelos ataques.

A Flotilha Global Sumud é a maior missão do tipo, composta por cerca de 50 barcos civis com parlamentares, juristas e ativistas, incluindo a sueca Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila. Seu objetivo declarado é romper o bloqueio naval imposto por Israel desde 2007 e entregar ajuda humanitária diretamente à população de Gaza.

Contexto Diplomático Ampliado

A movimentação da Espanha não se limita ao envio do navio. O governo Sánchez adotou uma postura progressivamente mais crítica em relação a Israel, incluindo:

  1. O anúncio de nove medidas contra o que classifica como "genocídio em Gaza", incluindo um embargo de armas com Israel.
  2. A proibição de entrada em território espanhol de dois ministros israelenses, Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich.
  3. O cancelamento de contratos de defesa com empresas israelitas, num valor total que supera 1.200 milhões de euros.

Enquanto isso, a Itália, que já havia enviado uma fragata, propôs um acordo alternativo: descarregar a ajuda humanitária em Chipre para que fosse entregue ao Patriarcado Latino de Jerusalém, que a distribuiria em Gaza. A primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que Israel apoiava a ideia, mas a delegação italiana da flotilha rejeitou a sugestão em nome do grupo, mantendo o objetivo original de romper o cerco.

O governo israelense mantém sua posição intransigente. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, afirmou que a rejeição da flotilha à proposta italiana mostrou que "seu verdadeiro propósito é a provocação e servir ao Hamas". Ele reafirmou que Israel "não permitirá que navios entrem em uma zona de combate ativa" e que tomará todas as medidas necessárias para impedi-los.

Com informações de: CNN Brasil, DN Portugal, DW, Euronews, RTP, TVT News, ZAP Aeiou. ■

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