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A Microsoft anunciou nesta quinta-feira (25) a decisão de "cessar e desabilitar" um conjunto de serviços de nuvem e inteligência artificial para uma unidade do Ministério da Defesa de Israel. A medida foi tomada após uma investigação interna da empresa encontrar evidências que corroboram reportagens sobre o uso de sua plataforma Azure para um sistema de vigilância em massa de civis palestinos em Gaza e na Cisjordânia.
Em um comunicado dirigido aos funcionários, Brad Smith, presidente e vice-presidente da Microsoft, afirmou que a empresa não fornece tecnologia para facilitar a vigilância em massa de civis, um princÃpio que aplica globalmente há mais de duas décadas. A revisão foi iniciada em agosto, após uma investigação conjunta do jornal The Guardian, da revista +972 e do site Local Call.
A reportagem revelou que a Unidade 8200, agência de inteligência de elite das Forças de Defesa de Israel (FDI), utilizava a nuvem Azure para armazenar um vasto volume de gravações de chamadas telefônicas de palestinos. O projeto, que teria começado após uma reunião em 2021 entre o CEO da Microsoft, Satya Nadella, e o então comandante da unidade, Yossi Sariel, permitia o armazenamento e análise de milhões de chamadas por hora.
A investigação da Microsoft, que respeitou o compromisso de privacidade do cliente ao não acessar o conteúdo armazenado, concentrou-se em registros comerciais internos e encontrou evidências que incluem:
Como resultado, a Microsoft notificou o governo israelense sobre a desabilitação de assinaturas especÃficas de armazenamento em nuvem e serviços de IA ligados ao projeto de vigilância. Smith ressaltou que a decisão não impacta o trabalho de proteção cibernética que a empresa continua a prestar a Israel e a outros paÃses do Oriente Médio.
Um oficial de segurança israelense declarou que não há dano à s capacidades operacionais das FDI. Entretanto, a decisão é considerada a primeira vez que uma grande empresa de tecnologia norte-americana revoga o acesso de uma unidade militar israelense a seus serviços desde o inÃcio da guerra em Gaza.
O caso gerou pressão interna e externa sobre a Microsoft, com protestos de funcionários e campanhas como "No Azure for Apartheid". A empresa demitiu alguns funcionários que participaram de protestos em suas instalações, citando violações de polÃticas de segurança.
Fontes citadas pelo The Guardian indicam que a Unidade 8200 transferiu rapidamente os dados de vigilância dos servidores da Microsoft na Holanda após a publicação da reportagem em agosto, possivelmente para a plataforma de nuvem da Amazon, a AWS. A revisão da Microsoft sobre o caso ainda está em andamento.
Com informações de: The Guardian, CNN, Reuters, CNBC, TechCrunch, NBC News, +972 Magazine, The Jerusalem Post, KOMO News. ■