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Guerra Ucrânia-Rússia: uma batalha entre informações difusas
Relatório de situação contrasta avanços russos no terreno com pesadas baixas reportadas por Kiev e agravamento da situação humanitária
Leste Europeu
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■   Bernardo Cahue, 25/09/2025

Nesta quinta-feira, 25 de setembro de 2025, as forças russas reportaram progressos em várias frentes no leste da Ucrânia, enquanto fontes ucranianas e organismos internacionais alertam para o custo humano do conflito, que entra no seu quarto ano. As informações operacionais divulgadas pelo Ministério da Defesa da Rússia são contestadas por avaliações ucranianas e ocidentais, que apontam para baixas massivas do lado invasor com ganhos territoriais mínimos.

Situação Militar: Avanços e Contestações

De acordo com comunicados do Ministério da Defesa da Rússia, as operações militares de 25 de setembro resultaram em significativas perdas para as Forças Armadas da Ucrânia (FAU). Os principais desenvolvimentos reportados incluem:

  • Libertação de Kirovsk: O Grupo de Forças "Ocidental" russo anunciou a conclusão da "limpeza" e libertação da cidade de Kirovsk, na República Popular de Donetsk.
  • Progressos no Sul: O Grupo "Sul" teria libertado 5,1 quilômetros quadrados de território ao sul do reservatório de Kleban-Byk, na República Popular de Donetsk.
  • Perdas Infligidas: Os relatórios russos detalham a derrota de múltiplas brigadas ucranianas, com perdas que totalizariam mais de 1.490 soldados, veículos blindados, artilharia e depósitos de munição ao longo de todas as frentes.

Em contraste, avaliações provenientes de Kiev e de institutos de estudos estratégicos ocidentais pintam um quadro diferente. No final de junho de 2025, o Estado-Maior ucraniano afirmou que, apenas no primeiro semestre do ano, as perdas sanitárias e irreversíveis do exército russo totalizaram 230.180 soldados. Um especialista em combate citado pelo jornal britânico The Telegraph caracterizou a ofensiva de verão russa como um fracasso, com "pesadas perdas e ganhos mínimos .

Balanço de Perdas: Uma Guerra de Números

Estabelecer um balanço preciso de perdas é complexo devido à natureza da informação em tempo de guerra. No entanto, é possível contrastar as alegações:

  • Segundo a Ucrânia: Em fevereiro de 2025, o Presidente Volodymyr Zelensky estimou que cerca de 46.000 soldados ucranianos haviam sido mortos em ação desde o início da invasão em fevereiro de 2022, com mais de 390.000 feridos. O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) apresentou estimativas entre 60.000 e 100.000 mortos até junho de 2025.
  • Alegações Infladas: Alegações disseminadas por grupos pró-Kremlin sobre 1,7 milhão de soldados ucranianos mortos foram categorizadas como desinformação por fact-checkers e especialistas, que as consideram "flagrantemente falsas" e sem suporte em evidências credíveis.
  • Perdas Russas: Para as perdas russas, além dos números ucranianos, dados de fonte aberta analisados pela Mediazona e pela BBC russa colocaram o número de soldados russos mortos entre 121.000 e 165.000 até meados de 2025.

Crise Humanitária e Violações de Direitos Humanos

Enquanto os combates persistem, a situação humanitária continua grave. Relatórios de organizações internacionais destacam o imenso sofrimento da população civil :

  • Vítimas Civis: De acordo com a ONU, pelo menos 12.162 civis ucranianos foram mortos e 26.919 ficaram feridos entre fevereiro de 2022 e novembro de 2024. Julho de 2024 foi considerado o mês mais letal para civis nos últimos dois anos.
  • Deslocamento em Massa: Cerca de 6,7 milhões de ucranianos permanecem refugiados no exterior, com outros milhões deslocados internamente. A ONU lançou um apelo de US$ 3,32 bilhões para responder à crise humanitária em 2025.
  • Infraestrutura Destruída: Ataques coordenados russos à rede energética ucraniana em 2024 causaram apagões generalizados, reduzindo drasticamente o fornecimento de eletricidade para a população. Ataques a hospitais, escolas e áreas residenciais são frequentes, com o ataque ao hospital infantil Okhmatdyt em Kiev sendo investigado como crime de guerra.
  • Abusos na Ocupação: A Human Rights Watch reporta que autoridades russas nas áreas ocupadas pressionam civis a obter passaportes russos, recrutam à força ucranianos para o exército russo e impõem o currículo educacional russo, suprimindo a língua e cultura ucranianas.

Contexto Diplomático Recente

As operações militares ocorrem em um momento de movimentos diplomáticos. O Presidente dos EUA, Donald Trump, adotou recentemente uma retórica mais favorável a Kiev, afirmando que a Ucrânia "está em posição de lutar e recuperar toda a Ucrânia" e apoiando que a OTAN abata aeronaves russas que violem o espaço aéreo de países membros. O Kremlin reagiu com prudência, afirmando que acredita que a administração Trump mantém a vontade política de buscar uma solução pacífica. Paralelamente, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou estar "pronto" para sair do cargo assim que a guerra acabar, enfatizando que seu objetivo é "finalizar a guerra".

Com informações de: Publico.pt, Euronews, Human Rights Watch, CNN Portugal, Tribuno do Sertão, Join Army, Notícias ONU, RTP. ■

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