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Gangue de adolescentes aterroriza comércios e desafia policiais na Inglaterra
Lojistas de Shirley High Street relatam campanha prolongada de assédio, ameaças e vandalismo; para uma das jovens, comportamento gera "adrenalina".
Europa
Foto: https://ichef.bbci.co.uk/news/800/cpsprodpb/2b8f/live/f2a27990-996b-11f0-92db-77261a15b9d2.jpg.webp
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■   Bernardo Cahue, 25/09/2025

Lojistas de Shirley High Street, uma rua comercial perto de Southampton, no Reino Unido, vivem há meses uma situação de terror e impotência diante de uma campanha prolongada de comportamento antissocial praticado por um grupo de adolescentes, a maioria meninas. Eles relatam vitrínes quebradas, furtos, incêndios criminosos, funcionários ameaçados e agredidos, além de abusos racistas.

Muhammad Usman, proprietário de uma loja de telefonia, é um dos que se sentem abandonados. Ele registrou em seu próprio celular a recusa de uma adolescente em sair do seu estabelecimento. "Toque em mim e eu vou acusá-lo de agressão", desafiou-o a jovem, que também afirmou: "A polícia nunca vai ajudá-lo, pode me filmar à vontade". Usman, claramente desgastado, disse que a situação só piora: "Nunca tive esse tipo de experiência na minha vida antes. Nos sentimos tão impotentes".

O problema não se limita à sua loja. Nnenna Okonkwo, comerciante três portas adiante, também se disse sitiada. "É ridículo que sejam apenas algumas adolescentes causando todo esse caos", afirmou, com a voz embargada pela emoção.

Quando a BBC encontrou o grupo, deparou-se não com "gangues armadas", mas com uma jovem de 14 anos usando leggings rosa e Crocs. A adolescente, que parece inteligente mas profundamente perturbada, admitiu seu comportamento sem remorsos.

  • Admissão de culpa: "Não estou afirmando que sou inocente, porque não sou. Ameacei pessoas e agredi pessoas, admito isso".
  • Busca por adrenalina: Ela contou que uma lesão a forçou a desistir do esporte e que se meter em confusão oferece uma liberação alternativa de energia. "Descobri que obtenho a mesma dose de adrenalina ao ter problemas com a polícia".
  • Falsa culpa: "Lamento o que faço, mas não peço desculpas", declarou, sob aplausos do resto do grupo.

Outra integrante justificou as ações como diversão adolescente: "Sei que o que estamos fazendo é errado, mas somos adolescentes, vamos nos divertir um pouco. Sinto muito pela maioria das pessoas que prejudicamos, mas não tenho simpatia... é apenas uma forma de extrair minha raiva".

A resposta policial à situação tem sido alvo de críticas. Os comerciantes reclamam não da quantidade de agentes, mas da aparente falta de poder ou disposição para enfrentar as jovens.

O policial local, PC Tom Byrne, reconheceu a preocupação, mas defendeu uma abordagem cautelosa: "Precisamos lembrar que estamos lidando com jovens", disse, acrescentando que "haverá consequências", mas estas precisam ser apropriadas para crianças.

Já a comissária de polícia de Hampshire, Donna Jones, opina que a abordagem precisa ser mais dura, especialmente em relação aos pais: "Precisamos colocar os pais mais na linha", afirmou, sugerindo mudanças na legislação para tornar os responsáveis mais responsáveis.

Autoridades já possuem ferramentas para lidar com o problema, como ordens de dispersão e contratos de comportamento aceitável. Foi o caso de Jaiden, de 15 anos, também de Shirley. Após ser preso, ele e a mãe assinaram um acordo voluntário que o fez mudar de vida. "Eu me arrependo de tudo", disse o adolescente, que antes causava confusão quase diariamente nas lojas.

Com informações de: BBC News. ■

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