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O tão aguardado embate entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na 80ª Assembleia Geral da ONU não se resolveu em um duelo de discursos inflamados, mas em um encontro pacÃfico e surpreendentemente afável de trinta segundos nos bastidores do plenário . A cena, mais próxima de uma cena de reconciliação de novela do que de um confronto geopolÃtico, rendeu elogios públicos do presidente americano ao colega brasileiro e deixou para trás, nocauteado simbolicamente pela nova dinâmica, o ex-presidente Jair Bolsonaro e, em especial, seu filho Eduardo.
O clima de confronto estava armado há meses. Desde julho, as relações bilaterais viviam sua pior fase em décadas, com a imposição de tarifas de 50% por parte dos EUA a produtos brasileiros. Trump justificava a medida citando suposta "censura" e "perseguição polÃtica" no Brasil, em clara referência aos processos judiciais contra Bolsonaro, seu aliado. Lula, por sua vez, havia retaliado com palavras duras, sugerindo que o republicano "queria ser o imperador do mundo" e afirmando que o Brasil "não vai andar de joelho para o governo americano".
O palco da ONU, portanto, era ideal para um duelo. E, de fato, ambos falaram duro. Lula, por tradição o primeiro a discursar, defendeu a soberania nacional e criticou, sem citar nominalmente os EUA, "sanções arbitrárias e intervenções unilaterais". Trump, que o seguiu no pódio, reafirmou suas crÃticas ao governo brasileiro. A imprensa internacional rapidamente captou a "combative tone" (tom combativo) dos discursos.
Mas a reviravolta aconteceu nos corredores. Ao final de sua fala, Trump revelou ao mundo o breve encontro:
O gesto foi interpretado como um sinal positivo por analistas, ainda que cercado de cautela, dado o histórico errático de Trump. O chanceler Mauro Vieira admitiu que uma conversa por telefone ou videoconferência é uma possibilidade a ser considerada. De qualquer forma, o tom era diametralmente oposto ao que se via até então.
Enquanto a cena principal se desenrolava entre Lula e Trump, um capÃtulo lateral da história ganhava contornos de nocaute simbólico. A imagem de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente e seu principal articulador internacional, foi ofuscada pela nova realidade.
Em 2021, durante a gestão de Jair Bolsonaro, Eduardo foi peça-chave na comitiva presidencial na ONU. Coube a ele ajudar a chegar ao texto final do discurso do pai e pensar na divulgação dos trechos nas redes bolsonaristas. Naquela ocasião, o governo Bolsonaro viveu um isolamento diplomático palpável, com o então presidente Joe Biden evitando qualquer contato direto. O contraste com o abraço e a promessa de reunião entre Lula e Trump é evidente e sela o fim da influência do clã Bolsonaro no eixo Brasil-EUA.
A crônica desta ONU mostra que, por vezes, 30 segundos nos bastidores valem mais do que longos discursos no plenário. O abraço entre Lula e Trump não apagou as profundas divergências entre os dois paÃses, mas reabriu um canal de diálogo que parecia fechado. E, nesse novo tabuleiro, as peças do governo anterior, incluindo Eduardo Bolsonaro, assistem da plateia a um jogo que já não lhes pertence.
Com informações de: G1, BBC, Terra, Bloomberg, Poder360, Gulf News, UN News. ■