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Crise humanitária em Gaza: médicos descrevem cenário de "pesadelo" com falta de anestesia
Enquanto ofensiva israelense se intensifica, sistema de saúde entra em colapso com hospitais fechando departamentos vitais. Autoridades internacionais pedem fim do massacre
Oriente-Medio
Foto: https://www.arabnews.com/sites/default/files/styles/n_670_395/public/2024/10/19/4535992-1191615596.jpg?itok=No9wNXA7
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■   Bernardo Cahue, 24/09/2025

O sistema de saúde na Faixa de Gaza está dando seus últimos suspiros, de acordo com alertas do próprio Ministério da Saúde local. Em meio a uma intensificação dos ataques aéreos e terrestres israelenses, que mataram dezenas de pessoas apenas nas últimas 24 horas, os hospitais que ainda funcionam enfrentam condições desumanas. Relatos de profissionais de saúde descrevem a angústia de ter de realizar procedimentos cirúrgicos críticos em pacientes, incluindo crianças, com escassez ou completa falta de anestesia, um cenário classificado como um "verdadeiro pesadelo".

O colapso hospitalar é agravado pela falta de combustível e suprimentos. Nos últimos dias, hospitais vitais, como o instituto pediátrico Al-Rantisi e o hospital oftalmológico de Gaza, foram obrigados a fechar as portas. De acordo com a agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), 12 de suas instalações, incluindo escolas e clínicas usadas como abrigos, foram bombardeadas desde o início de setembro.

Números do Conflito: Vítimas e Deslocamento em Massa

A ofensiva israelense, que entrou em uma fase crítica com uma operação terrestre na Cidade de Gaza, resultou em um número significativo de baixas e deslocamentos:

  • Vítimas nas últimas 24 horas: Pelo menos 15 palestinos foram mortos em novos bombardeios israelenses na madrugada desta quarta-feira (24), segundo a Defesa Civil de Gaza. No dia anterior, as mortes foram reportadas como 29.
  • Vítimas nos últimos 7 dias: Com a intensificação dos ataques desde o anúncio da nova fase da operação, o número de mortos na semana é de dezenas, com relatos de 37 mortos apenas durante a noite de segunda-feira (22).
  • Deslocamento em massa: Mais de 640 mil pessoas já foram forçadas a fugir da Cidade de Gaza, segundo estimativas. A ONU calcula que pelo menos 190 mil tenham se deslocado desde agosto, em meio a filas intermináveis de famílias que se movem a pé ou em veículos superlotados.

"Hora de Parar esse Massacre", Clama Líder Internacional

Perante a catástrofe humanitária, vozes internacionais se levantam. Antonio Costa, Presidente do Conselho Europeu, declarou que a decisão israelense de tomar controle de Gaza City "deve ter consequências para as relações UE-Israel". Em um pronunciamento, Costa pediu ao governo israelense que reconsiderasse sua ação, afirmando que ela não apenas viola acordos com a União Europeia, mas também "transgride fundamentais princípios do direito internacional e valores universais". Sua fala reforça o apelo feito por outros líderes para que seja dada uma hora de parar esse massacre.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também se mostrou "gravemente alarmado" com a escalada, alertando que ela aprofunda as consequências catastróficas para milhões de palestinos. Enquanto isso, a população civil de Gaza continua presa em um ciclo de violência, fome e desespero, com o cheiro da morte pairando sobre os escombros que já foram seus lares.

Com informações de: France 24, O Globo, UN News, BBC News, Vatican News, UOL. ■

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