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Itália paralisa em greve geral histórica contra ofensiva em Gaza
Protestos massivos e confrontos violentos marcam dia de paralisação nacional que afetou portos, trens e rodovias, pressionando governo de Meloni
Europa
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■   Bernardo Cahue, 22/09/2025

Nesta segunda-feira (22), a Itália foi palco de uma greve geral e uma onda de protestos em solidariedade ao povo palestino e contra a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza. Convocados por sindicatos, os atos mobilizaram dezenas de milhares de pessoas em mais de 75 cidades e paralisaram setores-chave da economia, resultando em confrontos violentos com a polícia em Milão e na condenação pública do governo liderado por Giorgia Meloni.

Abrangência e Impacto da Paralisação

A greve, de 24 horas, foi organizada por centrais sindicais como a USB (Unione Sindacale di Base) e teve como alvo principal o setor de transportes. De acordo com os organizadores, os impactos foram significativos:

  • Bloqueio total dos principais portos do país, incluindo Gênova e Livorno.
  • Paralisação de 90% dos transportes públicos e 50% das ferrovias.
  • Serviços ferroviários garantidos apenas em horários de pico, com cancelamentos afetando o transporte regional e de longa distância.
  • Grande adesão também nos setores de educação e entre trabalhadores de escolas e universidades.

Protestos nas Principais Cidades

As manifestações tomaram as ruas de norte a sul do país, com tensões escalando para confrontos em algumas localidades:

  • Roma: A capital reuniu uma multidão em frente à Estação Termini. Enquanto a prefeitura estimou mais de 20 mil presentes, os organizadores falaram em cerca de 100 mil pessoas. O ato foi majoritariamente pacífico, com participantes carregando bandeiras palestinas e cartazes contra o que chamam de "genocídio em Gaza".
  • Milão: A situação foi mais grave. Manifestantes enfrentaram a polícia nas proximidades da estação central, com relatos de pedras e cadeiras sendo lançadas contra as forças de segurança, que revidaram com gás lacrimogêneo. Cerca de 60 policiais ficaram feridos no país, com 23 deles precisando de hospitalização em Milão, e 18 manifestantes foram presos.
  • Bolonha, Turim, Nápoles e outras: Protestos com milhares de pessoas também ocorreram em Bolonha (onde a polícia usou jatos d'água para dispersar um bloqueio na rodovia A14), Florença, Bari, Palermo e Veneza.

Reação do Governo Italiano

A primeira-ministra Giorgia Meloni classificou os atos de violência como "ultrajantes" e afirmou que ações de "vândalos" prejudicam os cidadãos italianos e não ajudam a população de Gaza. O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, denunciou uma "ação violenta deliberada" contra a polícia.

A postura do governo italiano, no entanto, é vista pelos organizadores dos protestos como parte do problema. Eles denunciam a "inércia" de Roma e da União Europeia, que se recusam a impor sanções a Israel e a reconhecer o Estado palestino. Pesquisa citada pela mídia indica que 40,6% dos italianos apoiam esse reconhecimento.

Contexto Internacional e Crise Humanitária

Os protestos na Itália ocorrem em um momento de grande tensão internacional. Na véspera, países como Reino Unido, Austrália, Canadá e Portugal reconheceram oficialmente o Estado da Palestina nas Nações Unidas, movimento que a Itália, sob o governo Meloni, ainda não pretende acompanhar.

A ofensiva israelense em Gaza, que teve início após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, já causou mais de 65 mil mortes palestinas, segundo o Ministério da Saúde local, cifra considerada confiável pela ONU. A crise humanitária no território é extrema, com a população enfrentando fome, desnutrição e deslocamento em massa.

Com informações de: G1, BBC, Expresso, Associated Press, Euronews, RFI, Gazeta do Povo, UN News. ■

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