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Em um editorial publicado em 7 de setembro de 2025, intitulado "O Supremo precisa voltar à normalidade", o jornal Estadão protagonizou uma das mais graves tentativas de distorção narrativa desde os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Sob o pretexto de defender a "normalidade institucional", o texto na verdade opera uma sofisticada estratégia de "limpeza" para deslegitimar as ações do Supremo Tribunal Federal (STF) no combate aos crimes antidemocráticos e proteger os reais financiadores do golpe – inclusive seus próprios apoiadores.
O editorial alega que o STF, após concluir o julgamento dos golpistas, deveria "retornar ao leito da normalidade institucional" e abandonar os "expedientes excepcionais" utilizados para enfrentar a ameaça à democracia. O texto chega a admitir que muitas medidas seriam "inaceitáveis em condições normais", mas as justifica como necessárias diante da gravidade dos fatos. No entanto, o que o Estadão convenientemente omite é que:
O editorial não é um equÃvoco jornalÃstico, mas sim uma peça estratégica na campanha de impunidade para os verdadeiros financiadores do golpe. Conforme revelado por investigações do De Olho nos Ruralistas, pelo menos 142 empresários do agronegócio estiveram diretamente envolvidos no financiamento e apoio logÃstico aos atos golpistas.
Estes não são pequenos fazendeiros, mas grandes grupos econômicos com:
O epicentro do financiamento golpista está justamente no chamado "Arco da Soja", com 71% dos investigados concentrados em Mato Grosso, Goiás e Bahia. Sorriso (MT), o maior polo produtor de soja do mundo, foi a origem de 56 dos 234 caminhões que bloquearam vias e abasteceram acampamentos golpistas em BrasÃlia.
Enquanto o editorial critica o STF por supostamente exceder suas atribuições, omite deliberamente que:
O mesmo jornal que defende "normalidade" para golpistas mantém silêncio cúmplice sobre a impunidade dos financiadores de colarinho branco – muitos dos quais são anunciantes e parceiros comerciais do próprio conglomerado midiático.
O editorial afirma que "o STF cumpriu bem seu dever na defesa da ordem constitucional democrática", mas em seguida exige que a Corte "recue" e abra mão dos instrumentos que justamente permitiram essa defesa bem-sucedida. É como elogiar um bombeiro por apagar um incêndio criminoso e depois criticá-lo por usar mangueiras com muita pressão.
O texto chega ao cúmulo de criticar o ministro LuÃs Roberto Barroso por ser "loquaz" ao dizer que o julgamento dos golpistas vai "encerrar os ciclos do atraso no PaÃs", enquanto elogia o supostamente "discreto" Edson Fachin. A preferência por juÃzes "discretos" versus "loquazes" revela na verdade a preferência por juÃzes que não exponham publicamente as tramas golpistas.
O editorial do Estadão é vergonhoso não por criticar o STF, mas por fazêlo de forma seletiva e enganosa. É uma peça de propaganda que busca:
O que o Estadão chama de "normalidade" é na verdade a anormalidade de um sistema onde empresários poderosos podem financiar tentativas de golpe e destruição de patrimônio público sem enfrentar consequências. A verdadeira normalidade democrática exige que todos os envolvidos – de executores a financiadores – sejam responsabilizados por seus crimes contra o Estado democrático de direito.
Com informações de Wikipedia, Estadão, MST.org.br, Portal STF. ■