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O Estadão e a normalização do golpismo em editorial vergonhoso
Como o conglomerado midiático tenta reescrever a narrativa democrática para proteger interesses escusos e financiadores do terrorismo
Analise
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■   Bernardo Cahue, 20/09/2025

Em um editorial publicado em 7 de setembro de 2025, intitulado "O Supremo precisa voltar à normalidade", o jornal Estadão protagonizou uma das mais graves tentativas de distorção narrativa desde os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Sob o pretexto de defender a "normalidade institucional", o texto na verdade opera uma sofisticada estratégia de "limpeza" para deslegitimar as ações do Supremo Tribunal Federal (STF) no combate aos crimes antidemocráticos e proteger os reais financiadores do golpe – inclusive seus próprios apoiadores.

O Discurso Enganoso da "Normalidade"

O editorial alega que o STF, após concluir o julgamento dos golpistas, deveria "retornar ao leito da normalidade institucional" e abandonar os "expedientes excepcionais" utilizados para enfrentar a ameaça à democracia. O texto chega a admitir que muitas medidas seriam "inaceitáveis em condições normais", mas as justifica como necessárias diante da gravidade dos fatos. No entanto, o que o Estadão convenientemente omite é que:

  • As investigações comprovaram a existência de um plano detalhado (Plano Punhal Verde e Amarelo) para assassinar autoridades e implantar uma ditadura no Brasil
  • O próprio Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por crimes incluindo tentativa de golpe de Estado e participação em organização criminosa
  • O ataque de 8 de janeiro causou danos de R$ 11,4 milhões apenas no STF e representou o mais grave atentado contra a democracia desde a redemocratização

O conluio midiático-empresarial golpista

O editorial não é um equívoco jornalístico, mas sim uma peça estratégica na campanha de impunidade para os verdadeiros financiadores do golpe. Conforme revelado por investigações do De Olho nos Ruralistas, pelo menos 142 empresários do agronegócio estiveram diretamente envolvidos no financiamento e apoio logístico aos atos golpistas.

Estes não são pequenos fazendeiros, mas grandes grupos econômicos com:

  • Conexões com bancos internacionais como Santander e Rabobank
  • Contratos com multinacionais como Syngenta e John Deere
  • Financiamento de instituições financeiras como BTG Pactual

O epicentro do financiamento golpista está justamente no chamado "Arco da Soja", com 71% dos investigados concentrados em Mato Grosso, Goiás e Bahia. Sorriso (MT), o maior polo produtor de soja do mundo, foi a origem de 56 dos 234 caminhões que bloquearam vias e abasteceram acampamentos golpistas em Brasília.

A seletividade conveniente do Estadão

Enquanto o editorial critica o STF por supostamente exceder suas atribuições, omite deliberamente que:

  1. Nenhum dos grandes empresários financiadores foi preso ou processado, apenas os executores de menor escalão
  2. As organizações de representação do agronegócio, como a Aprosoja, tiveram dirigentes diretamente envolvidos nos atos golpistas
  3. Há evidências de que valores financeiros foram entregues diretamente a membros do governo Bolsonaro por "pessoal do agro"

O mesmo jornal que defende "normalidade" para golpistas mantém silêncio cúmplice sobre a impunidade dos financiadores de colarinho branco – muitos dos quais são anunciantes e parceiros comerciais do próprio conglomerado midiático.

A hipocrisia da "Defesa da Democracia"

O editorial afirma que "o STF cumpriu bem seu dever na defesa da ordem constitucional democrática", mas em seguida exige que a Corte "recue" e abra mão dos instrumentos que justamente permitiram essa defesa bem-sucedida. É como elogiar um bombeiro por apagar um incêndio criminoso e depois criticá-lo por usar mangueiras com muita pressão.

O texto chega ao cúmulo de criticar o ministro Luís Roberto Barroso por ser "loquaz" ao dizer que o julgamento dos golpistas vai "encerrar os ciclos do atraso no País", enquanto elogia o supostamente "discreto" Edson Fachin. A preferência por juízes "discretos" versus "loquazes" revela na verdade a preferência por juízes que não exponham publicamente as tramas golpistas.

Normalização do anormal

O editorial do Estadão é vergonhoso não por criticar o STF, mas por fazêlo de forma seletiva e enganosa. É uma peça de propaganda que busca:

  • Reabilitar politicamente os setores golpistas
  • Proteger os financiadores empresariais do terrorismo
  • Desgastar as instituições que defendem a democracia
  • Preparar o terreno para novos ataques futuros

O que o Estadão chama de "normalidade" é na verdade a anormalidade de um sistema onde empresários poderosos podem financiar tentativas de golpe e destruição de patrimônio público sem enfrentar consequências. A verdadeira normalidade democrática exige que todos os envolvidos – de executores a financiadores – sejam responsabilizados por seus crimes contra o Estado democrático de direito.

Com informações de Wikipedia, Estadão, MST.org.br, Portal STF. ■

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