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Marco Rubio vai a Israel com proposta de túnel turístico
Secretário de Estado dos EUA ignora tensões geopolíticas e apoia construção polêmica durante visita a Israel
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 16/09/2025

Em meio a uma guerra devastadora em Gaza e à condenação internacional do ataque israelense ao Qatar, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, surpreendeu ao dedicar parte de sua visita diplomática a Israel à inauguração de um túnel turístico em Jerusalém Oriental ocupada. A proposta, apresentada como um projeto arqueológico e religioso, é vista como uma manobra para consolidar a ocupação israelense em territórios palestinos.

O túnel, construído pelo grupo de colonos israelenses Elad, estende-se por 600 metros sob o bairro palestino de Silwan, ligando a Cidade de David ao Muro das Lamentações. Rubio participou pessoalmente da inauguração ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, descrevendo-o como um "lembrete dos valores judaico-cristãos que inspiraram os Fundadores dos EUA".

Reconfiguração geopolítica e violação do direito internacional

Analistas e organizações internacionais alertam que o projeto não é apenas uma iniciativa turística, mas parte de uma estratégia sistemática para judaizar Jerusalém Oriental e apagar heranças culturais não judaicas. A ONG israelense Peace Now denunciou que a presença de Rubio equivale a um "reconhecimento estadunidense da soberanía israelense sobre a zona mais sensível da bacia sagrada de Jerusalém".

O ex-chefe de inteligência egípcio, general Mohamed Rashad, classificou a iniciativa como "uma violação flagrante do direito internacional", lembrando que as resoluções do Conselho de Segurança da ONU consideram Jerusalém Oriental como território ocupado.

Cenário de conflito ampliado

A polêmica surge em um momento crítico: enquanto Rubio e Netanyahu inauguravam o túnel, Israel iniciava a invasão terrestre a Gaza City, resultando em dezenas de mortes. Simultaneamente, líderes árabes e islâmicos reuniam-se no Qatar em uma cúpula de emergência para condenar o ataque israelense a território catari.

O timing da inauguração parece calculado: dias antes de que França, Reino Unido, Canadá e outros países anunciassem o reconhecimento formal de um Estado palestino na Assembleia Geral da ONU. Rubio já havia advertido que tal movimento "só emboldaria o Hamas".

Um túnel com profundas implicações

O projeto do túnel revela as complexas dinâmicas em jogo:

  • Apago histórico: Relatórios da ONU documentam que as escavações privilegiam exclusivamente a narrativa judaica, ignorando outras heranças culturais e religiosas.
  • Expansão de assentamentos: O grupo Elad, que opera o sítio, é acusado de apropriar-se de terras e expulsar famílias palestinas de Silwan.
  • Fratura diplomática: A visita de Rubio ao túnel, poucas horas antes de viajar ao Catar para acalmar as tensões, evidencia as contradições da política externa norte-americana.

Para ativistas palestinos como Fakhri Abu Diab, de Silwan, a mensagem é clara: "Este ato dos Estados Unidos dá luz verde a mais expansão de assentamentos, demolições, limpeza étnica e todas as práticas realizadas por Israel".

Conclusão: símbolo de uma política controversa

A aparente obsessão de Rubio com um projeto turístico em meio a uma guerra regional ilustra a profundidade do alinhamento entre Washington e Tel Aviv. Ao endossar simbolicamente a anexação de Jerusalém Oriental, o Secretário de Estado não apenas aprofunda a ocupação, mas também entrega a Netanyahu um trunfo político interno para continuar sua agenda expansionista.

Enquanto isso, a população de Gaza sofre sob bombardeios implacáveis, e a comunidade internacional se divide entre quem exige um cessar-fogo imediato e quem apoia uma "solução final" para o Hamas. O túnel de Silwan, longe de ser uma mera atração turística, transforma-se no símbolo perfeito de uma política que privilegia uma soberania unilateral em detrimento das negociações de paz.

Com informações de Al Jazeera, Reuters, DW, Extra News Mundo, Tesaaworld, The New York Times, Politico. ■

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