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Em meio a uma guerra devastadora em Gaza e à condenação internacional do ataque israelense ao Qatar, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, surpreendeu ao dedicar parte de sua visita diplomática a Israel à inauguração de um túnel turÃstico em Jerusalém Oriental ocupada. A proposta, apresentada como um projeto arqueológico e religioso, é vista como uma manobra para consolidar a ocupação israelense em territórios palestinos.
O túnel, construÃdo pelo grupo de colonos israelenses Elad, estende-se por 600 metros sob o bairro palestino de Silwan, ligando a Cidade de David ao Muro das Lamentações. Rubio participou pessoalmente da inauguração ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, descrevendo-o como um "lembrete dos valores judaico-cristãos que inspiraram os Fundadores dos EUA".
Analistas e organizações internacionais alertam que o projeto não é apenas uma iniciativa turÃstica, mas parte de uma estratégia sistemática para judaizar Jerusalém Oriental e apagar heranças culturais não judaicas. A ONG israelense Peace Now denunciou que a presença de Rubio equivale a um "reconhecimento estadunidense da soberanÃa israelense sobre a zona mais sensÃvel da bacia sagrada de Jerusalém".
O ex-chefe de inteligência egÃpcio, general Mohamed Rashad, classificou a iniciativa como "uma violação flagrante do direito internacional", lembrando que as resoluções do Conselho de Segurança da ONU consideram Jerusalém Oriental como território ocupado.
A polêmica surge em um momento crÃtico: enquanto Rubio e Netanyahu inauguravam o túnel, Israel iniciava a invasão terrestre a Gaza City, resultando em dezenas de mortes. Simultaneamente, lÃderes árabes e islâmicos reuniam-se no Qatar em uma cúpula de emergência para condenar o ataque israelense a território catari.
O timing da inauguração parece calculado: dias antes de que França, Reino Unido, Canadá e outros paÃses anunciassem o reconhecimento formal de um Estado palestino na Assembleia Geral da ONU. Rubio já havia advertido que tal movimento "só emboldaria o Hamas".
O projeto do túnel revela as complexas dinâmicas em jogo:
Para ativistas palestinos como Fakhri Abu Diab, de Silwan, a mensagem é clara: "Este ato dos Estados Unidos dá luz verde a mais expansão de assentamentos, demolições, limpeza étnica e todas as práticas realizadas por Israel".
A aparente obsessão de Rubio com um projeto turÃstico em meio a uma guerra regional ilustra a profundidade do alinhamento entre Washington e Tel Aviv. Ao endossar simbolicamente a anexação de Jerusalém Oriental, o Secretário de Estado não apenas aprofunda a ocupação, mas também entrega a Netanyahu um trunfo polÃtico interno para continuar sua agenda expansionista.
Enquanto isso, a população de Gaza sofre sob bombardeios implacáveis, e a comunidade internacional se divide entre quem exige um cessar-fogo imediato e quem apoia uma "solução final" para o Hamas. O túnel de Silwan, longe de ser uma mera atração turÃstica, transforma-se no sÃmbolo perfeito de uma polÃtica que privilegia uma soberania unilateral em detrimento das negociações de paz.
Com informações de Al Jazeera, Reuters, DW, Extra News Mundo, Tesaaworld, The New York Times, Politico. ■