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Presidente do Irã defende coalizão islâmica para cortar relações com Israel
Líderes árabes e islâmicos unem-se em resposta a ataques israelenses e crise humanitária em Gaza
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 16/09/2025

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, participou da Cúpula de Emergência Árabe-Islâmica em Doha no dia 15 de setembro de 2025, onde defendeu uma coalizão fortemente unida entre países islâmicos para cortar relações diplomáticas e económicas com Israel. A reunião histórica contou com representantes de 57 estados da Organização para a Cooperação Islâmica (OIC) e 22 países da Liga Árabe.

Contexto do Conflito

O ataque israelense a Doha no dia 9 de setembro, que matou um oficial de segurança catariano e cinco membros do Hamas, serviu como catalisador para a cúpula. O Emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, classificou o ataque como um ato "traiçoeiro e covarde" que sabotou os esforços de mediação de paz.

Além disso, a guerra em Gaza já dura quase dois anos, com mais de 64.800 palestinos mortos, a maioria mulheres e crianças, e 1,9 milhão de deslocados. A crise humanitária foi amplamente citada durante a cúpula como justificativa para ações urgentes.

Declarações do Presidente Iraniano

Pezeshkian ecoou a posição de outros líderes regionais, como o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que já havia proposto uma aliança islâmica contra o "expansionismo" de Israel. O presidente iraniano argumentou que:

  • Agressões contra um estado árabe ou islâmico devem ser tratadas como um ataque a todos os membros da coalizão
  • Os países islâmicos devem impor sanções imediatas a Israel
  • É necessário suspender transferências de armas e cooperação militar
  • Relações diplomáticas e económicas devem ser revisadas

Essas medidas foram formalizadas na declaração final da cúpula.

Medidas Propostas pela Coalizão

A cúpula resultou em um acordo unânime para:

  1. Exigir a suspensão de Israel das Nações Unidas por violações repetidas da Carta da ONU
  2. Apoiar as ordens de prisão do Tribunal Penal Internacional contra funcionários israelenses
  3. Reafirmar as decisões do Tribunal Internacional de Justiça sobre prevenção de genocídio em Gaza
  4. Defender uma solução de dois estados com base nas fronteiras de 1967

Os líderes também criticaram os "duplos padrões" dos Estados Unidos e seus aliados por permitirem as ações israelenses.

Implicações Regionais e Globais

A posição do Irã reflecte uma mudança significativa na postura dos países islâmicos em relação a Israel. Estados tradicionalmente moderados, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, expressaram forte oposição aos planos de Israel de anexar partes da Cisjordânia, caracterizando-os como "linha vermelha".

Enquanto isso, os EUA mantiveram seu apoio incondicional a Israel, com o Secretário de Estado Marco Rubio afirmando que o Hamas deve "deixar de existir". Esta divergência sugere um aprofundamento da fissura diplomática entre os EUA e seus tradicionais aliados no Golfo.

Com informações de: Al Jazeera, Inter Bellum News, Jerusalem Post, DW, APública

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