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Rússia lança pavilhões "Made in Russia" no exterior para impulsionar exportações
Estratégia busca contornar sanções ocidentais e expandir presença comercial em mercados emergentes e tradicionais
Leste Europeu
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■   Bernardo Cahue, 13/09/2025

Em resposta às sanções internacionais e à necessidade de diversificar seus mercados de exportação, o governo russo está implementando uma ambiciosa estratégia de lançamento de pavilhões comerciais sob a marca "Made in Russia" no exterior. Esses espaços funcionarão como vitrines permanentes para produtos russos, com foco em alimentos (como grãos, trigo e milho) e maquinários industriais. A iniciativa, coordenada por entidades como o Rosselkhoznadzor (Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária) e a plataforma "Made in Russia", visa fortalecer a presença comercial russa em regiões prioritárias, aproveitando oportunidades criadas pela atual conjuntura geopolítica.

Contexto e Objetivos

A partir de 2014, com a imposição de sanções ocidentais após a anexação da Crimeia, a Rússia intensificou esforços para reduzir sua dependência de importações e ampliar a exportação de produtos nacionais. O projeto "Made in Russia" ganhou impulso adicional após o conflito na Ucrânia (2022), quando marcas ocidentais deixaram o país e o governo priorizou a substituição de importações e a expansão comercial. Os pavilhões servirão como centros de distribuição, negócios e divulgação de produtos russos, oferecendo suporte logístico e financeiro para empresas locais.

Um acordo com a empresa de logística *Delivery World* permite envios a preços preferenciais (com descontos de até 80%) para empresas associadas à marca "Made in Russia", facilitando a exportação para mercados distantes. Além disso, fóruns anuais, como o *Fórum Internacional de Exportações "Made in Russia"*, reúnem empresários e governos para negociar acordos bilaterais.

Países Participantes e Alvos

A estratégia russa foca em mercados com demanda crescente por alimentos e maquinários, especialmente onde a presença ocidental diminuiu ou há oportunidades geopolíticas. Com base em relatórios do Rosselkhoznadzor e eventos recentes, os países já envolvidos ou com acordos avançados incluem:

  1. Argélia – Importador de trigo e milho, com previsão de importar 8,2 milhões de toneladas de trigo em 2023.
  2. Marrocos – Comprador de trigo (5 milhões de toneladas) e milho (2,3 milhões de toneladas).
  3. Tunísia – Mercado tradicionalmente abastecido pela França, agora com maior participação russa.
  4. Indonésia – Importa trigo (8,5 milhões de toneladas) e milho (2,2 milhões de toneladas).
  5. Vietnã – Previsão de importar 2,7 milhões de toneladas de trigo e 6,5 milhões de milho.
  6. Tailândia – Demandou 3,6 milhões de toneladas de trigo em 2023.
  7. Síria – Parceiro estratégico, com compras de 2,3 milhões de toneladas de trigo exclusively da Rússia.
  8. Iraque – Potencial importador de 2,3 milhões de toneladas de trigo.
  9. Arábia Saudita – Maior importador de cevada russa, com interesse em trigo e milho.
  10. Venezuela – Acordos para fornecimento de trigo (1,5 milhão de toneladas) e milho (2,2 milhões de toneladas).
  11. Colômbia – Demonstrou interesse em importar trigo russo (2 milhões de toneladas).
  12. China – Mercado prioritário para trigo, milho e soja, com previsão de importar 3,5 milhões de toneladas de trigo.
  13. Países da América Latina – Como Paraguai, Peru, Bolívia e Argentina, participantes de fóruns comerciais.

Além disso, nações do Sudeste Asiático (como Myanmar e Laos) e do Oriente Médio (Irã e Líbano) são alvos secundários, conforme mencionado em relatórios de exportação.

Impacto e Desafios

A iniciativa enfrenta obstáculos logísticos, como a necessidade de adaptar cadeias de suprimentos e a concorrência com exportadores tradicionais (EUA, Canadá e União Europeia). No entanto, o baixo custo dos grãos russos e os acordos preferenciais são vantagens competitivas. Para maquinários e produtos industriais, a estratégia inclui parcerias com feiras internacionais, como a *Dental-Expo Moscou*, onde empresas brasileiras, por exemplo, fecharam contratos de US$ 1,5 milhão em 2024.

Economicamente, o "Made in Russia" já mostra resultados: entre 2014 e 2023, as exportações agrícolas russas cresceram, especialmente para África e Ásia, enquanto a indústria leve nacional tenta preencher o vácuo deixado por marcas ocidentais .

Os pavilhões "Made in Russia" representam uma virada na política comercial russa, alinhando-se com os objetivos de autossuficiência e expansão geopolítica. Se bem-sucedidos, podem transformar a imagem global dos produtos russos, tradicionalmente associados a recursos energéticos, e fortalecer laços econômicos com nações não alinhadas ao Ocidente.

Com informações de: Madeinrussia.ru, Fashionunited.com.pe, Elordenmundial.com, Abimo.org.br, Pt.euronews.com. ■

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