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Fome em Gaza: ONU confirma crise humanitária catastrófica
Mais de 500 mil pessoas enfrentam condições de fome extrema, enquanto Israel impede entrada de jornalistas e bloqueia ajuda humanitária
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 22/08/2025

A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou oficialmente a existência de fome na Faixa de Gaza, marcando a primeira vez que esse status é atribuído a uma região do Oriente Médio. De acordo com o Quadro Integrado de Classificação de Segurança Alimentar (IPC), órgão da ONU sediado em Roma, mais de 500 mil pessoas - aproximadamente um quarto da população de Gaza - enfrentam atualmente condições catastróficas de fome, caracterizadas por inanição, miséria e mortes evitáveis.

O diretor de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, afirmou que a situação "poderia ter sido evitada" sem a "obstrução sistemática de Israel", acusando o governo israelense de bloquear ativamente a entrada de assistência humanitária enquanto alimentos se acumulam nas fronteiras do território palestino.

O contexto desta crise remonta ao início do conflito em outubro de 2023, que já ceifou mais de 70 mil vidas palestinas - aproximadamente 14% da população atual de Gaza - segundo dados do Ministério da Saúde controlado pelo Hamas. Os nearly dois anos de conflito resultaram em:

  • Destruição de 70% da infraestrutura de Gaza
  • 90% da população deslocada, muitas vezes múltiplas vezes
  • 98% das terras agrícolas danificadas ou inacessíveis
  • Colapso quase total dos sistemas de saúde, água e saneamento

As condições são particularmente graves para as crianças. Desde abril de 2025, mais de 20.000 crianças foram tratadas por desnutrição aguda, com pelo menos 16 mortes relacionadas à fome registradas apenas desde meados de julho. Em julho de 2025, mais de 12.000 crianças foram identificadas como gravemente desnutridas - o maior número mensal já registrado e um aumento seis vezes maior desde o início do ano.

Israel não está permitindo que jornalistas internacionais trabalhem em Gaza, restringindo severamente o acesso da imprensa ao território há quase dois anos. Esta política atingiu um novo patamar preocupante com o assassinato direcionado de quatro jornalistas da Al Jazeera e dois freelancers em um ataque israelense no domingo, 10 de agosto de 2025.

Desde o início do conflito, quase 270 jornalistas e trabalhadores de mídia palestinos foram mortos por Israel. Um investigação do +972 Magazine e Local Call identificou uma unidade militar israelense sinistramente chamada de "célula de legitimação", com o objetivo de identificar jornalistas em Gaza que poderiam ser retratados como operadores secretos do Hamas, em um esforço para diminuir a indignação global sobre o assassinato de repórteres por Israel.

Enquanto isso, a crise humanitária continua a se aprofundar. O IPC projeta que até o final de setembro de 2025, quase 641.000 pessoas - quase um em cada três habitantes de Gaza - enfrentarão níveis catastróficos de insegurança alimentar. As agências da ONU enfatizam que esta é uma crise inteiramente provocada pelo homem e evitável.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, descreveu a situação como "um desastre provocado pelo homem, uma acusação moral e um fracasso da humanidade em si". Ele e outros líderes mundiais exigem um cessar-fogo imediato e permanente, a libertação de todos os reféns e detidos, e acesso humanitário total para todo o território.

Com informações de: UN News, World Health Organization, Al Jazeera, The Guardian, RFI, Folha de S.Paulo, European Civil Protection and Humanitarian Aid Operations, Norwegian Refugee Council

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