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Soldado israelense vandaliza estátua de Jesus no Líbano
Governo e Forças de Defesa de Israel condenam o ato, abrem investigação e pedem desculpas à comunidade cristã; incidente ocorre em meio a tensões na região sul do país
Oriente-Medio
Foto: https://ichef.bbci.co.uk/news/800/cpsprodpb/12da/live/0c0c6dc0-3c99-11f1-879d-1b2f5c3919b8.jpg.webp
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■   Bernardo Cahue, 20/04/2026

Uma fotografia que circula amplamente nas redes sociais desde o último domingo (19) causou forte comoção internacional ao mostrar um soldado das Forças de Defesa de Israel (FDI) aparentemente destruindo com uma marreta uma estátua de Jesus Cristo na região sul do Líbano. A imagem, que já foi vista milhões de vezes, provocou uma onda de condenações de líderes religiosos, autoridades políticas e da sociedade civil em todo o mundo, levando o próprio primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a classificar o ato como chocante e a prometer uma punição severa ao militar envolvido.

Após uma análise preliminar, as FDI confirmaram que a imagem é autêntica e que o soldado retratado é, de fato, um de seus militares em operação no sul do Líbano. Em um comunicado oficial publicado em sua conta na rede social X, as forças armadas declararam que encaram o incidente com “grande severidade” e enfatizaram que a “conduta do soldado é totalmente inconsistente com os valores esperados de suas tropas”.

O local e o ato de vandalismo

De acordo com as investigações, o ato ocorreu na aldeia cristã de Debel (também grafada como Debl), uma das poucas localidades no sul do Líbano cujos habitantes permaneceram na região durante os recentes confrontos entre Israel e o Hezbollah. A estátua, que representa Jesus Cristo crucificado, ficava em um pequeno altar no jardim da residência de uma família na periferia da aldeia.

A fotografia, publicada inicialmente pelo jornalista palestino Younis Tirawi, mostra a escultura já caída no chão, aparentemente descolada da cruz, enquanto o soldado golpeia a cabeça da imagem com um martelo ou uma ferramenta similar. O padre Fadi Falfel, líder da congregação em Debel, descreveu o ocorrido em entrevista à Reuters: “Um dos soldados israelenses quebrou a cruz e fez essa coisa horrível, essa profanação de nossos símbolos sagrados”.

Condenação de autoridades israelenses

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi um dos primeiros a se pronunciar, manifestando seu repúdio ao ato. Em sua conta no X, ele declarou: “Fiquei chocado e entristecido ao saber que um soldado das FDI danificou um ícone religioso católico no sul do Líbano. Condeno o ato nos termos mais fortes. As autoridades militares estão conduzindo uma investigação criminal do caso e tomarão medidas disciplinares duras e apropriadas contra o infrator”. Netanyahu também afirmou que as ações do soldado iam contra os valores judaicos de tolerância.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, também classificou o comportamento do militar como “vergonhoso e deplorável”. Ele se desculpou formalmente em nome do país, escrevendo na mesma plataforma: “Pedimos desculpas por este incidente e a todos os cristãos cujos sentimentos foram feridos”. Saar acrescentou estar confiante de que “as medidas severas necessárias serão tomadas contra quem cometeu esse ato repugnante”.

A investigação militar

As Forças de Defesa de Israel confirmaram que o incidente está sendo investigado pelo Comando Norte e que o caso está sendo tratado no âmbito da cadeia de comando. “As FDI veem o incidente com grande severidade e enfatizam que a conduta do soldado é totalmente incompatível com os valores esperados de suas tropas. Medidas apropriadas serão tomadas contra os envolvidos, de acordo com as conclusões”, informou o comunicado oficial.

Além da punição, o Exército israelense afirmou que está trabalhando para ajudar a comunidade de Debel a restaurar a estátua em seu lugar original, em um esforço para reparar os danos causados. Em sua defesa, as FDI reiteraram que suas operações na região sul do Líbano têm como objetivo “desmantelar a infraestrutura terrorista estabelecida pelo Hezbollah” e que “não têm a intenção de causar danos à infraestrutura civil, incluindo edifícios religiosos ou símbolos religiosos”.

Reações no mundo e no Líbano

A divulgação das imagens gerou forte comoção entre os moradores de Debel e em todo o Líbano, país que possui uma das maiores populações cristãs do Oriente Médio, onde os cristãos representam cerca de 46% da população total. O padre Fadi Falfel, em entrevista à BBC, reafirmou a posição da comunidade: “Rejeitamos totalmente a profanação da cruz, nosso símbolo sagrado, e de todos os símbolos religiosos. Isso vai contra a declaração de direitos humanos e não reflete civilidade”.

A comoção também se espalhou rapidamente pelas redes sociais, onde a imagem ultrapassou a marca de 5 milhões de visualizações somente na plataforma X. Parlamentares árabes israelenses fizeram duras críticas à atitude do soldado. Ayman Odeh, membro do Knesset, ironizou a situação ao declarar: “Vamos esperar para ouvir o porta-voz da polícia alegar que ‘o soldado se sentiu ameaçado por Jesus’”. Já Ahmad Tibi, outro parlamentar árabe, associou o ato a um comportamento racista e o comparou a polêmicas recentes envolvendo o ex-presidente dos EUA, Donald Trump.

A reação internacional também foi imediata. O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, que é pastor batista, declarou na rede social X que são necessárias “consequências rápidas, severas e públicas” para o ato. Comentaristas políticos norte-americanos também se manifestaram, com o ex-congressista Matt Gaetz classificando a imagem como “horrorosa” e a ex-congressista Marjorie Taylor Greene questionando o uso de bilhões de dólares em auxílio a Israel, escrevendo: “‘Nosso maior aliado’ que recebe bilhões de nossos dólares em impostos e armas todos os anos”.

Contexto de tensão na região

O incidente ocorre em um momento de elevada tensão na fronteira entre Israel e o Líbano. Em março, o Hezbollah lançou foguetes em direção a Israel em apoio ao Irã, o que provocou uma resposta militar israelense com intensos bombardeios e uma invasão terrestre no sul do país. Um cessar-fogo mediado pelos EUA foi acordado entre as partes na quinta-feira anterior ao incidente, mas tropas israelenses continuam posicionadas em dezenas de cidades e vilarejos no sul do Líbano, incluindo Debel.

A estátua de Jesus, que ficava em um local visível na entrada da aldeia, tornou-se um símbolo da resistência pacífica e da fé da comunidade local. A sua profanação, portanto, foi sentida como um ataque não apenas a um objeto, mas à própria identidade religiosa e cultural dos habitantes da região. A expectativa agora se concentra nas conclusões da investigação militar israelense e nas medidas disciplinares que serão aplicadas, bem como nos esforços para restaurar o símbolo religioso e acalmar os ânimos de uma comunidade já duramente afetada pelo conflito.

Com informações de G1, O Globo, Público (Portugal), JN (Jornal de Notícias), BBC News, Al Jazeera, Anadolu Ajans? (Agência Anadolu), Egypt Independent, AhlulBayt News Agency (ABNA24), Independent.ie, WION (World Is One News), HK01 (Hong Kong 01), Agence France-Presse (AFP), Reuters, MTV Lebanon (Líbano), Al Araby (The New Arab), Al Jazeera Net, Haaretz, Yahoo! Japan News, The Asahi Shimbun, Liberty Times (Taiwan), China Press (Malásia), China Times (Taiwan), TRT?? ■

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