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Teerã – O Irã rejeitou formalmente, neste domingo (19), a participação em uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos, prevista para começar na segunda-feira (20) em Islamabad, capital do Paquistão. A decisão foi divulgada pela agência estatal de notícias Irna, a apenas três dias do término do frágil cessar-fogo de duas semanas entre as duas nações, que começou em 7 de abril e está previsto para expirar na quarta-feira (22).
Em comunicado, a agência Irna citou os motivos da recusa iraniana, apontando o que classificou como “exigências excessivas” de Washington, “expectativas irrealistas”, além de “mudanças constantes de posição, contradições repetidas e a continuação do chamado bloqueio naval”, que Teerã considera uma violação do cessar-fogo. Nessas circunstâncias, declarou a agência, “não há um cenário claro para negociações bem-sucedidas”. O comunicado ainda qualificou o anúncio da nova rodada de conversas como parte de uma “guerra de narrativas” e de um “jogo de acusações” orquestrado pelos Estados Unidos para pressionar o Irã.
A rejeição iraniana foi divulgada horas depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, confirmar em sua rede Truth Social que uma delegação dos EUA viajaria para o Paquistão na noite de segunda-feira. “Estamos oferecendo um ACORDO muito justo e razoável, e espero que eles o aceitem porque, se não o fizerem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e todas as pontes no Irã”, escreveu Trump, acrescentando: “CHEGA DE FAZER O BONZINHO!”. A delegação americana seria liderada pelo vice-presidente JD Vance, que também chefiou as conversas da primeira rodada — uma maratona de 21 horas em Islamabad, que terminou sem acordo no último fim de semana. A Casa Branca anunciou ainda a participação do enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e do genro do presidente, Jared Kushner.
Fontes da agência iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, acrescentaram que Teerã não enviará negociadores enquanto o bloqueio marítimo dos EUA aos portos iranianos se mantiver. “Não haverá negociações enquanto o bloqueio marítimo dos EUA contra os portos iranianos continuar”, afirmou a agência, indicando que o levantamento da medida é uma condição prévia inegociável para qualquer retomada do diálogo. Ao mesmo tempo, a agência observou que a troca de mensagens entre os dois países por meio da mediação paquistanesa continuou nos últimos dias.
O impasse diplomático acontece em meio a uma escalada de medidas de pressão recíprocas no Estreito de Ormuz. No sábado, o Irã anunciou que retomou o “controle rigoroso” sobre a passagem, uma via crucial por onde escoa cerca de um quinto do petróleo mundial, fechando-a à navegação. Horas antes, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, havia declarado que o estreito estava “completamente aberto”. O presidente Trump respondeu mantendo o bloqueio naval às embarcações que entram ou saem de portos iranianos, dizendo que a medida continuará “até que um acordo de paz seja alcançado”.
Nos últimos dias, o cenário era de expectativa contraditória. Em entrevista à AFP na sexta-feira (17), Trump afirmou que não restavam mais “pontos conflitantes” com o Irã e que um acordo estava próximo. “Estamos muito perto. Parece que vai ser algo muito bom para todos”, disse o presidente. Já o principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, havia declarado em pronunciamento televisionado no sábado que as partes fizeram “progressos”, mas ainda estão “longe da discussão final”, com “muitas lacunas e alguns pontos fundamentais” a serem resolvidos.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, afirmou que as negociações entre Estados Unidos e Irã continuam, mas que “não houve um avanço nem um rompimento”. Andrabi confirmou que questões nucleares permanecem entre os principais temas em discussão, mas recusou-se a dar detalhes. O premiê paquistanês, Shehbaz Sharif, realizou uma turnê regional por Arábia Saudita, Catar e Turquia para angariar apoio ao processo de paz, enquanto o chefe das Forças Armadas do Paquistão, Asim Munir, esteve em Teerã para encontros com a cúpula iraniana.
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã teve início em 28 de fevereiro com ataques surpresa norte-americanos e israelenses contra o território iraniano, desencadeando uma série de confrontos diretos. Apenas a primeira rodada de negociações em Islamabad, realizada nos dias 11 e 12 de abril, foi considerada um feito histórico por ter sido o primeiro diálogo direto entre as duas nações desde a Revolução Islâmica de 1979. Contudo, as conversas de 21 horas não lograram um acordo, com cada lado atribuindo ao outro a responsabilidade pelo fracasso: Washington citou a recusa iraniana em abandonar seu programa nuclear, enquanto Teerã culpou as “exigências excessivas e irracionais” dos EUA. O governo iraniano afirmou que não esperava um acordo em uma única rodada de negociações, diante do profundo clima de desconfiança entre as partes.
A situação atual levanta preocupações sobre o destino do cessar-fogo de duas semanas. As partes não chegaram a um acordo antes do fim da trégua, e as esperanças de uma extensão agora são incertas. A decisão de Teerã de não enviar sua delegação, citando as “exigências excessivas” e o bloqueio naval contínuo, sugere que o diálogo pode não avançar antes que expire o atual período de trégua.
Pontos Principais:
Contexto: O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã teve início em 28 de fevereiro de 2026, com ataques surpresa norte-americanos e israelenses contra o território iraniano. Desde então, os dois lados protagonizam uma série de confrontos diretos no Oriente Médio. A primeira rodada de negociações diretas entre Washington e Teerã em Islamabad, nos dias 11 e 12 de abril, foi considerada histórica por ter sido o primeiro diálogo direto entre as duas nações desde a Revolução Islâmica de 1979. No entanto, as conversas, que duraram 21 horas, terminaram sem um acordo. Os EUA atribuíram o fracasso à recusa iraniana em abandonar seu programa nuclear, enquanto o Irã culpou as “exigências excessivas e irracionais” americanas.
Com informações de G1, CBN, UOL/Reuters, Times Brasil, Sapo, WION, News18, Republic World, Al Jazeera, DW, Infobae, Observador, RTVE, TV Asahi, Kyodo News, Mainichi Shimbun, BBC, CNN, Tasnim News Agency, Fars News Agency, Islamic Republic News Agency (IRNA), Associated Press (AP), France-Presse (AFP) e Deutsche Welle (DW) ■